A argumentação na era da internet – questões de linguagem e novas possibilidades de comunicação – Por Carla Machado

Hoje entre um papo e outro no trabalho, no meio de um intervalo, enquanto eu tentava pensar num assunto para esta coluna, surgiu uma dúvida na conversa com os colegas: determinado deputado representava qual estado?

Eu, na hora, disse, que apesar de ser baiano, sabia que ele era deputado por São Paulo ou pelo Rio de Janeiro, um colega tinha certeza que o político representava o Rio e outra logo disse que ele representava seu estado natal: a Bahia.

Quando a discussão ia começar a se acalorar, e eu já até apostava nisso para esquentar um pouco do frio juizforano, logo alguém consultou o novo pai dos burros, o senhor Google, e deu logo a resposta que fez morrer o assunto: ele era deputado pelo Rio de Janeiro, e acabou a conversa, pois contra fatos não há argumentos, ou melhor, contra a internet não há discussão que resista.

Logo alguém saiu com a frase que me fez pensar num bom assunto para esta coluna: a internet acabou com nosso poder de argumentação, é verdade, isso procede. Lembrei que há tempos quando uma dúvida dessas surgisse em uma mesa de bar, numa boa conversa entre amigos ou numa reunião de trabalho a discussão em torno de quem está certo ou errado poderia durar horas, dias e muitos copos de cerveja. Agora, no lugar de argumentar, de certa forma, só nos interessa saber quem está com a razão.

Tentando ser prática: por que não usarmos a informação ao nosso favor? Um celular em mãos resolve qualquer dúvida mundial. Por outro lado, a internet, de certa forma, representa uma das principais características da tal geração Y (a geração que já nasce conectada, que antes de sair da maternidade já tem foto no facebook), que é a facilidade no acesso à informação e a pouca habilidade em lidar com tanta informação disponível.

Isso é perigoso, pois essa facilidade de acesso não está representando um enriquecimento da linguagem, pelo contrário, a língua está cada dia mais empobrecida, pois o lema de alguns é comunicar, não importa como e a que preço. Por outro lado, essa nova forma de acesso à informação e essa rapidez nas pesquisas podem nos proporcionar outras maneiras de ver, falar, conversar, escrever e pensar o mundo.

Vamos argumentar a partir da informação que chega rápido e fácil, vamos questioná-la, discuti-la, procurar mais fontes, não podemos acreditar em tudo o que lemos, ter senso crítico é essencial.

Eu tinha um professor na faculdade que dizia: o papel aceita tudo! Acredito que este professor quando falava isso não imaginava do que a internet seria capaz, ela sim aceita tudo, todos e mais um pouco, por isso é importante pesquisar além do Google, ir mais longe, atrás do que é confiável e mais importante: argumentar, saber separar a notícia fácil da fonte confiável.

Pensemos nisso e não percamos nunca o dom de dividir nossas opiniões sinceras com quem a gente acha que vale a pena.

Até a próxima!

Beijo, pai – você que me ensinou sempre a defender as ideias que eu acredito, esta coluna é para você!

ENTRE NA REDE FATO!