Cia Teatral Mutum comemora ano cheio de conquistas
Mutum em BH - Acervo do grupo

Grupo Mutum em Belo Horizonte. Foto: Arquivo Pessoal

A Cia Teatral Mutum, formada há quatro anos, deu um grande salto em 2016. Após um complexo processo, a Cia foi aprovada em três projetos culturais, o que possibilitou a concretização de espetáculos e uma turnê de apresentações por cidades mineiras com a comédia “Farsa da Boa Preguiça”. Segundo o coordenador, Cassiano Camisão, o grupo tem procurado se profissionalizar não somente nos palcos, mas também no setor administrativo, especializando-se na elaboração de projetos, prestação de contas e administração pública, a fim de buscar verbas destinadas ao segmento cultural que muitas vezes não são usadas por falta de informação, entre outros pontos.

E ele nos conta que tais realizações não foram fáceis, pois os editais exigem muitos requisitos. No entanto, com dedicação, ideias que beneficiam tanto o grupo quanto o público e organização devida, o Mutum foi aprovado no Fundo Estadual de Cultura de Minas Gerais, no Prêmio Cena Minas Para Circulação de Espetáculos Teatrais da Secretaria de Cultura do Estado e também no Edital Trilha Cultural BDMG. Assim a Cia vem crescendo, ganhando destaque e conquistando cada vez mais reconhecimento no teatro regional.

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Farsa da Boa Preguiça – Foto: Denis Russi

Através dos projetos, eles levaram a “Farsa da Boa Preguiça” para as cidades de Viçosa, Cataguases, Tocantins, Visconde do Rio Branco, nossa Ubá, duas vezes à São João Del Rei e Belo Horizonte, onde apresentaram no Galpão Cine Horto, espaço mantido por uma das maiores representações do teatro brasileiro, o conceituado Grupo Galpão. “Foi uma ocasião muito especial, afinal eles são nossa principal referência artística”, declara Cassiano, acrescentando que a experiência se tornou ainda mais incrível graças ao grande carinho com que a platéia belo-horizontina os recebeu.

Iniciado em 2012, mesmo com relativamente pouco tempo de caminhada, o grupo já se apresentou em mais de 30 cidades, incluindo festivais de teatro, com os espetáculos “Farsa da Boa Preguiça”, uma comédia de Ariano Suassuna que trata de forma bem humorada o “ócio dos artistas”, contextualizada no sertão brasileiro, ganhadora dos prêmios de Melhor Trilha Sonora, Melhor Figurino, Melhor Ator (Fabiano Martins) e Melhor Direção (Cassiano Camisão); e “O Canto do Mundo”, um drama escrito por Fabiano Martins (membro da Cia) que retrata a vivência de uma família e seus costumes no interior rural de Minas Gerais, que já rendeu os prêmios de Melhor Atriz (Stefany Dias) e Melhor Direção (também de Cassiano). As peças passaram pelos festivais de São João Nepomuceno, Barbacena, Peçanha, Duque de Caxias – RJ e Guaçuí – ES.

Farsa 03 - Denis Russi

Farsa da Boa Preguiça – Foto: Denis Russi

Cassiano nos explica que a Cia Mutum vem construindo sua identidade através de uma linguagem própria. Eles trabalham a multiplicidade de conceitos do Teatro de Rua, realizam pesquisas sobre linguagens utilizadas no Teatro Popular, passando por elementos da Comédia Dell´arte e do Teatro Mambembe, utilizando ainda traços do Teatro de Mascaras. “Sempre que possível nós nos aprimoramos, buscando cursos além de Ubá ou trazendo professores de fora para auxiliar em nossos treinamentos. Já fizemos cursos em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e até mesmo fora do país, quando alguns de nossos membros participaram do curso de Teatro Físico e Gestual baseado no ator e mímico francês, Etiénne Decroux, em Lisboa – Portugal”, conta.

Atualmente, a Cia é formada por atores que também fazem parte de outros grupos da cidade, profissionais com mais de dez anos de atuação e diversos cursos na bagagem – incluindo um integrante formado em Artes Cênicas e outros com registro profissional de ator – além de membros iniciantes e que trabalham na produção dos espetáculos. A equipe é composta pelo ator e coordenador, Cassiano Camisão, que nos explicou que o grupo não possui apenas um diretor, estando o cargo em aberto para quem for dirigir o espetáculo a ser trabalhado; Sueli Sanseverino, que além de atriz também atua como figurinista; Fabiano Martins e Roberta Silva, atores, musicistas e preparadores vocais; e Stefany Dias, Flávia Costa, Polly Magoo, Nitay Krishna, Fabrícia Costa e Thabata Guedes que se dividem entre atuação e produção.

Sobre os desafios de fazer teatro no interior de Minas Gerais, eles contam que não são poucos: falta de apoio necessário, dificuldade de formação de público, falta de patrocínio… “É difícil sobreviver somente com bilheteria, afinal o teatro é uma arte pouco consumida hoje em dia, pois as pessoas possuem diversas formas mais ‘rápidas’ de entretenimento. Teatro é artesanal, cada apresentação é única, então é muito importante a troca do público com os atores. Nosso objetivo é levar a mensagem de um teatro verdadeiro, transformando a vida das pessoas e dos lugares em que passamos. Sendo assim, para levar ao público uma boa apresentação é necessária toda uma estrutura de qualidade”, pontua Cassiano.

Apesar dos empecilhos, entretanto, o grupo já começa a colher os frutos do bom desempenho. Em Ubá, por exemplo, o público tem aumentado e diversificado a cada apresentação. Como conta o próprio coordenador, “[…] já estávamos acostumados a ver sempre os mesmos rostos na platéia, geralmente amigos, familiares e incentivadores. Com o aumento de atividades temos visto o público crescer e novas pessoas conhecendo a arte do teatro através do nosso trabalho. Isso é muito gratificante”.

Para encerrar, eles adiantam alguns detalhes da agenda 2017: no primeiro semestre o grupo dará sequência às apresentações dos projetos aprovados com a “Farsa da Boa Preguiça”, desta vez em Ouro Preto, Mariana e Muriaé; no mais, eles pretendem criar uma sede para encontros, ensaios e apresentações, além de manter a rotina de produções a todo vapor.

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