Em um relacionamento sério com a vida
Solteiro depois dos 30: problema ou opção? Adeptos do status quebram o tabu e falam sobre a – às vezes solitária outras vezes libertadora – experiência de estar solteiro

Quem nunca ouviu de algum parente a famosa pergunta “E o namoradinho (a)?”. Inclusive, acabamos de passar por um período em que essa questão é abordada frequentemete: as festas familiares de fim de ano! Quando se é solteiro depois dos 30, então, a indagação pode se tornar perturbadora. Evidentemente, a cobrança social exacerbada sobre o fato de que é comum todos os seres humanos adquirirem relacionamentos amorosos (de preferência fixos) pode incomodar – e muito! – a quem simplesmente não se encaixa neste padrão. No entanto, há diversas pessoas que lidam bem com a situação e, pelo menos por ora, não abrem mão de estarem livres, leves e soltos. Afinal, qual o preço da liberdade e o que ganhamos com isso? Convidamos alguns solteiros para debater a respeito.

“Não namoro por namorar, eu tenho que ser conquistado também”

Emerson Secchi, 33 anos

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Emerson Secchi. Foto: Fotografe

Solteiro há cerca de dois anos, Emerson nos conta que já esteve em três relacionamentos com os quais aprendeu muito, no entanto, as responsabilidades individuais e os objetivos distintos levaram ao término em ambos os casos. “Devido aos momentos diferentes que vivenciávamos, deu certo até quando teve que dar. Respeito todas as minhas ex-namoradas e sou grato a elas, pois fizeram de mim um homem melhor. Torço pela felicidade de cada uma” – ele declara, acrescentando de brincadeira: “Acharam que eu ia falar mal, né?!”.

Secchi revela que seu status é fruto das próprias escolhas. “Estou solteiro porque não namoro por namorar, tenho que ser conquistado também. Vejo muitas mulheres falando em se apaixonar sem saber como envolver um homem de verdade. Sinceramente, não necessito de ter uma companhia para ser feliz, aliás, desde criança aprendi que a felicidade está dentro de nós” – comenta.

Embora viva bem sozinho, Emerson admite que pensa em se casar futuramente, mas nunca permitiu que esse desejo se tornasse uma obsessão em sua vida. “Lido com meu status de relacionamento de forma tranquila e sei que ele pode mudar a qualquer momento caso encontre alguém especial. Eu vivo o presente e projeto meu amanhã apenas no que diz respeito ao trabalho, afinal tenho metas a serem conquistadas. Sonho, sim, em ter uma família e quero proporcionar à minha futura esposa e aos meus filhos uma vida estável, feliz e em paz” – encerra.

“Estou solteira por opção, pois preferi me dedicar ao lado profissional”

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Damiana Candiam. Foto: Fotografe

Damiana Candiam, 33 anos

Damiana – ou “Dami”, como os amigos costumam chamá-la – está solteira há pouco mais de dois anos. Ela comenta sobre a cobrança social para arranjar um novo namorado: “Chega certa idade em que a pressão da família e da sociedade começa a incomodar. À medida que o tempo passa, o medo de ficar sozinha toma conta de algumas pessoas que acabam confundindo os sentimentos, vêem amor onde não têm e se sentem frustradas. Isso nunca aconteceu comigo porque sempre fui muito segura” – revela.

Sobre o status atual, ela afirma: “Sinto-me bem solteira, mas não significa que eu esteja sozinha. Sou feliz assim, porém não descarto a possibilidade de namorar caso apareça uma pessoa bacana. Não costumo correr atrás, prefiro que as coisas aconteçam”.

Para aqueles que ainda não encontraram sua “metade da laranja” e vivem preocupados com isso, Dami deixa um recado: “Muitos acham que para ser feliz é preciso estar em um relacionamento amoroso e esquecem que a felicidade está em nós mesmos. Ser solteiro não é um defeito, haja vista que é melhor estar sozinho do que em um relacionamento errado. Além de perda de tempo e desgaste físico isso também pode nos impedir de encontrar alguém melhor” – encerra.

“Com base em tudo que já passei, aprendi a querer só o que me faz bem. Se a pessoa não me acrescenta nada, não vejo porque tê-la em minha vida”

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Jaqueline de Souza. Foto: Servando Lopes

Jaqueline de Souza, 30 anos

Decidida, bem resolvida e feliz, Jaqueline está solteira e afirma não se preocupar com o futuro. Para ela, um relacionamento está longe de ser prioridade. “Eu sou cercada por pessoas que querem meu bem e que eu amo, não me sinto obrigada a ter alguém para ser feliz, eu já sou feliz! Quero mudar algumas coisas em mim primeiro para depois dar espaço para outra pessoa em minha vida. Não faço planos no campo sentimental” – diz.

Ela assume que gosta de homens divertidos, com atitude e que não tolera falta de consideração. “Manter o respeito um com o outro no relacionamento é fundamental. A partir do momento em que você ofende, insulta ou diminui pode ter certeza de que seu relacionamento nunca mais será o mesmo” – relata.

Quanto ao casamento, Jaqueline diz não se preocupar, pois não quer agir de maneira precipitada. “Tenho um exemplo perfeito dentro de casa: o casamento dos meus pais! Firme, cheio de cumplicidade e amor. Relacionamentos assim nos dias atuais são raros. Sei que uma hora vou me casar, mas não tenho isso como prioridade porque o exemplo que tenho é muito inteiro, não quero me casar e viver de metades” – conta.

“Enquanto não aparece a pessoa certa a gente vai vivendo e sendo feliz de outras formas. O que é inaceitável pra mim é entrar na bad por conta da falta de namorado!”

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Nilla Silva. Foto: Fotografe

Nilla Silva, 32 anos

 Ela já foi casada e está solteira há quase um ano. Nilla esteve em um relacionamento longo, mas que chegou ao fim através de uma decisão em conjunto. “Foi uma experiência cheia de altos e baixos, erros e acertos. Acredito que não deu certo por falta de maturidade de ambos. A decisão de separar não é fácil, mas foi uma alternativa de continuar a busca pela felicidade de cada um” – relata.

A gerente comercial está decidida em relação ao que almeja para o futuro, e diz que só abandona o status atual por algo que possa realmente valer a pena. “Só saio da independência da solteirice quando encontrar alguém que queira caminhar lado a lado. Nada de relacionamento fake ou abusivo! Ou vem para acrescentar ou deixa como está!” – afirma.

Nilla ressalta a importância de viver bem, independentemente de ter ou não um parceiro. “Às vezes é maravilhoso ter uma boa companhia, como também seria maravilhoso ganhar na Mega Sena ou ter só a parte bacana do meu trabalho. Ou seja, é bom, mas se não tem a gente se vira como pode. Não dá pra ficar esperando! Encontrar alguém legal é plano de vida, não só para 2017. Porém, enquanto não aparece a pessoa certa, a gente vai vivendo e sendo feliz de outras formas. O que é inaceitável pra mim é entrar na bad por conta da falta de namorado!”.

Para encerrar, ela declara: “A frase é clichê, mas muito válida: ‘ou soma ou some’. Ou vem para transbordar a vida de amor e cumplicidade ou dá meia volta. Nunca quis uma metade, um complemento. Quero um companheiro de viagem, alguém inteiro, cheio de si, que entenda que amar alguém não passa nem perto de causar sofrimento ao outro. Machistas inseguros eu dispenso, mas os outros podem me chamar no WhatsApp que eu não tô morta!” – brinca.

O que dizem os especialistas?

Convidamos a psicóloga Marcela Corbelli para analisar o assunto.

“Nos dias de hoje, ainda há pessoas que consideram estar solteiro sinônimo de fracasso. E a busca desesperada por um parceiro acaba colocando o indivíduo em situação delicada, aumentando o número de relacionamentos frustrados” – afirma a psicóloga Marcela Corbelli.

Ela explica que muitas pessoas realmente querem ficar sozinhas, ou protelam a escolha de um parceiro por acreditarem que um relacionamento poderá atrapalhar sua ascensão no mercado de trabalho. “O grande desafio na atualidade é alcançar o equilíbrio entre o profissional e a vida pessoal. Com isso, estamos nos deparando com solteiros mais exigentes, individualistas, menos tolerantes e com grande dificuldade de encontrar parceiros para relacionamentos saudáveis. Eles querem, têm sonhos, mas não sabem onde procurar ou como realizá-los” – observa.

A dica para quem deseja fomentar uma relação sadia é agir com maturidade e compreensão. Encarar os próprios erros, ser tolerante com o erro do outro e tentar formar no namoro uma verdadeira parceria. “Aliás, parceria é uma palavra que gosto muito de usar quando o assunto é relacionamento”, acrescenta Marcela. “Não tem como manter uma boa convivência tendo visão individualista e egoísta. Afinal, relacionamento é a dois!” – pontua.

O fato é que não existem pessoas “encalhadas” – estar solteiro não é um problema. O que existe são pessoas que vivem bem sozinhas e que ainda não encontraram um parceiro ideal. “É legitima escolha do individuo ficar solteiro, assim como mudar essa escolha em algum momento. Assumir-se solteiro, assumir um relacionamento ou até mesmo assumir que quer, mas não consegue se relacionar, são desafios do mesmo nível de dificuldade” – encerra.

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