Eni D’ Carvalho
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Debut de Eni no Tabajara Esporte Clube.

Muito esperada pelos pais, a menina meiga veio ao mundo em 29 de maio de 1950. Sua mãe, Emília Vieira de Carvalho, pedia à Virgem Maria que tivesse uma filha iluminada. E assim aconteceu. Nascia naquele outono a futura artista da luz. Loirinha esperta, andou e falou já aos nove meses de idade. Cativava todos pela doçura e calmaria, mas do pai, Nilo Verríssimo de Carvalho, ganhou além de mimos umas palmadas quando aprontava.

Tinha apego com a chupeta, no entanto, foi convencida a trocá-la por chocolates. Adorava fazer “comidinha” para brincar com os irmãos – que eram dez! – e deixavam Dona Emília enlouquecida. Também gostava de soltar pipa e andar de bicicleta, mesmo com todos dizendo que lugar de menina era em casinha de boneca.

Morava ao lado da Praça de Esportes, onde passou boa parte de sua infância. Como ubaense típica, Eni era assídua em todas as quermesses, barraquinhas e leilões. Seu pai, incentivado pelo Frei Cornélio, organizava os festejos e as coroações, onde a pequena, que era de muita fé, sempre se emocionava.

Desde cedo ela já despertava sua aptidão pela arte. No trabalho do pai cada um a incentivava de uma forma. Na oficina de pintura, o Laurindo disponibilizava tintas automotivas para ela produzir suas obras; o Juquita, na marcenaria, liberava pedaços de madeira; e no escritório de arquitetura davam-lhe papel vegetal, canetas e algumas penas nanquins. Saía de lá em total euforia, pois aquele material potencializava toda sua criatividade.

Estudou o jardim de infância na Praça de Esportes, depois no Colégio Sacré Couer de Marie, este último fazia parte de um sonho dos pais, uma vez que era considerada a melhor escola da cidade. No Sagrado tornou-se amiga de Tóia e Gracinha Peron com as quais ainda mantém contato. Já no terceiro ano de ginásio pediu que a colocassem no Colégio Estadual Raul Soares.

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Lançamento do livro “Poética da Pacificação” na Academia Mineira de Letras em Belo Horizonte.

Aos 13 anos começou a trabalhar atendendo na puericultura e na lojinha da cooperativa do DEER. O segundo emprego foi no IPSENG. Por volta de 1967, mudou-se para Belo Horizonte, onde Nilo havia construído uma casa já pensando no futuro dos filhos. Lá conheceu o marido, Francisco Correia Duarte, com quem está casada até hoje. A união matrimonial lhe rendeu dois filhos: Roberta de Carvalho Duarte e Thiago de Carvalho Duarte.

Eni tinha o sonho de estudar Belas Artes, mas o pai dissera que seria um caminho muito árduo. Portanto, graduou-se em Administração de Empresas na Newton Paiva, Ciências Contábeis em Barbacena, e pós graduou-se em Administração Hospitalar na Fundação Getúlio Vargas. A partir de 1988, ano em que se aposentou, ela pôde realizar um de seus grandes desejos e dedicar-se somente às artes. No período em questão, mal imaginava que seria conhecida internacionalmente como a Artista dos Cegos.

O início do projeto se deu de maneira muito curiosa. Para ajudar o filho a desenvolver um trabalho escolar que consistia em montar uma árvore genealógica, ela resolveu fazer uma tela com colagens de brinquedos e roupas. As crianças ficaram deslumbradas e começaram a tocar o objeto. Neste ínterim, houve uma exposição no Museu da Pampulha na qual os deficientes visuais puderam apalpar várias obras. Aí veio o insight “eu posso pintar para os cegos!”.

Desde então, ela começou a produzir obras que trabalham o sentido das pessoas, a começar pelo tato, depois audição e olfato. Sem falar das cores que são sempre vivas, o que estimula as pessoas que enxergam pouco. Além deste épico projeto, a artista plástica também é escritora e acaba de lançar um livro fruto do trabalho com comunidades de alto risco. “Poética da Pacificação” surgiu a partir das oficinas promovidas por Eni, onde a paz era o cerne das questões.

 Uma mulher completa de todas as formas, assim é Eni D’Carvalho. Uma filha exemplar, mãe cheia de zelo. Esposa atenciosa, poetiza e grande artista plástica. Um ser humano que não sabe ignorar a realidade ao seu redor. Uma ubaense da qual devemos nos orgulhar. Eni é luz! E o brilho de pessoas como ela jamais se apagará.

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Eni, filhos e o esposo Francisco acompanhada também da sogra Janice no dia do lançamento de seu livro.

 

 

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