Louro Parma: a raiz do nosso polo

 Agricultura, Permuta e Sonhos

Antes de Ubá se tornar um polo moveleiro, nosso município era essencialmente agrícola e sua economia baseava-se na produção de café, milho e arroz e posteriormente, de fumo de corda. Para ilustrar esta história, Louro Justo Parma, ubaense, de 71 anos, em entrevista inédita a equipe de reportagem da Revista Fato conta como tudo começou e como se tornou personagem deste grande marco histórico da cidade titulada como “Cidade Carinho”.

Louro é filho de José Francisco Parma, que foi pai e mãe de sete filhos. Nosso entrevistado casou-se com “Dona Rosa”, como ele a chama carinhosamente e é pai de cinco filhos: Juninho, Leandro, Gabriela, Marina e Lucas.

Filho de um agricultor de visão, o Sr. Chico, Louro, desde pequeno preserva um forte respeito pelo pai: “O papai foi um pai diferente. Ele foi pai e mãe. E toda nossa educação foi com base no que ele nos ensinou. Eu fui criado sem mãe e fui conhecê-la quando tinha meus 18 anos. Ele criou uma família de sete filhos e, aonde ele ia, ele nos levava. Eu sou provava viva e pude vivenciar todo o processo das compras das primeiras máquinas que deram início ao nosso polo moveleiro” relata.

Segundo Louro, naquela época, seu pai plantava arroz dentro d’água em propriedades na Mangueira Rural, bairro hoje muito populoso. E, embora seja José e Luizinho, seus irmãos mais velhos que tenham dado continuidade a idéia de seu pai, a iniciativa da troca do burro e da carroça pelas três máquinas foi do Senhor Chico: “Eram duas desempenadeiras e uma serra circular. Neste tempo, era muito comum ocorrer este tipo de troca/permuta e eu tive o privilégio de presenciar o momento” declara.

Além de agricultor, Senhor Chico, este sonhador, arriscava-se muito bem nas artes da carpintaria e marcenaria fazendo roda de carro de boi e roda de carroça e esta tendência de trabalhar com a madeira estava no sangue da família.

“Me recordo com clareza de que nós éramos uma família unida e que crescemos com um amparando ao outro. Em nossa casa, não sabia-se ao certo quem havia feito o almoço do dia. Se era um dos meus irmãos, se era o papai e foi assim que ele nos criou”.

Homenagem

O bloco carnavalesco ubaense denominado “Suvaco de Cobra” prestou uma belíssima homenagem a este propulsor do nosso polo. Com um samba enredo que continham as multifacetas do ubaense, descendente legítimo de italianos, Louro Parma cantarolou durante a entrevista trecho do samba: “(…) foi oleiro, foi marceneiro, carpinteiro, agricultor (…)”. Era possível perceber o orgulho nos olhos do filho.

“Me lembro que este samba ficou em primeiro lugar. Mas, na verdade, o papai foi mesmo um homem muito inteligente e que sabia executar muitas profissões. Mas, seu fundamento mesmo era a agricultura” pontua.

O começo

Segundo Louro, as máquinas adquiridas pelo seu pai eram muito simplórias, montadas em madeira. E tudo começou com o Zé e o Luizinho que se prontificaram e tiveram todo o interesse em fazer algo novo, (haja vista também que Luiz era o primogênito e José veio logo em seguida). “O Zé principalmente. O primeiro trabalho deles foi comprar essas torazinhas que dá na beira da estrada, inclusive, quando estamos a caminho de Juiz de Fora, por exemplo, nós vemos muito. É uma madeira chamada sumaúma , que dá uma florzinha vermelha” explica.

Entrevista com Louro Parma

Entrevista com Louro Parma

Louro conta que com um serrote de corte embaixo e em cima, essa toras eram cortadas para fazer umas pranchetas para depois levá-las a serra circular que seu papai havia adquirido com permuta, para, aí sim, transformar aquilo em ripa. “Com essa ripa, eu e meus irmãos (os mais novos) puxávamos pelo pasto a fora para secagem e depois elas eram vendidas para a fábrica de malas com sede aqui em Ubá. Essas ripas formavam a estrutura da mala e este foi o primeiro serviço feito com as três máquinas que o papai permutou”.

Pouco tempo depois, seus irmãos, Luizinho e Zé contrataram um marceneiro que morava na Vila Casal chamado Paulo Boi e com a sua chegada o trabalho começou a se aperfeiçoar. Louro conta que foi ele quem o ensinou a fazer sua primeira cadeira, que na ocasião ele tinha de 12 para 13 anos. “Modéstia a parte, meus irmãos eram muito inteligentes. O Zé, então, era uma coisa sensacional” enfatiza orgulhoso.

Ideia de móveis em série – visão

Naquela época, cristaleira era uma peça que vendia-se com muita facilidade e então Luizinho e Zé Parma tiveram a idéia de fazer 6 cristaleiras. Foi aí que começou a visão de se fazer móveis em série, segundo Louro. “Porém, ao comprar a madeira lá no Reskalla, na Av. Cristiano Roças, comprada com grande dificuldade… na hora de montar, foi percebido que foram feitos todos os lados iguais, os esquerdo. Até mesmo o Paulo Boi acabou “comendo mosca” e não orientou os meus irmãos. É claro que não dava para montar com isso, eles tiveram que comprar madeira para mais seis cristaleiras para fazer o outro lado para, finalmente, terem a satisfação de 12 móveis prontos. Eles venderam tudo e gostaram do resultado. Foi aí que tudo começou” relembra.

Educação

Na visão do nosso entrevistado, o Brasil é um país pobre e de terceiro mundo. “Nós não somos um país de primeiro mundo. Pra ter essa exigência de que o garoto só possa trabalhar após seus 18 anos, o governo teria de oferecer as crianças e adolescentes um estudo em horário integral. Agora, não deixar trabalhar e não oferecer condições de educação, se a criança ou o adolescente se não tiver uma boa orientação familiar acabará indo para marginalidade, como é o que a gente tem acompanhado por aí” opina.

Louro fala que na sua época era tudo muito difícil. Ele relata que seu pai lhe criou da seguinte forma: “(…) passava o período de trabalhar com fumo, porque era só uma vez por ano, a gente chegava da escola e tinha um balaio de verdura pra vender. E quando não tinha nada pra fazer, a gente tinha que pegar a caixa de engraxate e ir pra praça engraxar sapato. Meu pai sempre criou opções pra gente trabalhar e claro, nos mantendo em dia com os estudos. E modéstia a parte, o estudo que eu tive na época, eu não troco por faculdade nenhuma de hoje”.

Louro relembra que naquele tempo as professoras eram diferentes. Ele ainda enfatiza: “Eu não sei se elas ganhavam mais ou se passavam menos dificuldades… mas elas davam uma aula que a gente aprendia. Quando a professora entrava na sala de aula ela era respeitada. Não é igual hoje que você não sabe quem dá as ordens, se é o aluno ou é o professor” pontua.

Família: a base de tudo

Criado de uma maneira exemplar pelo Senhor Chico, Louro, juntamente de Dona Rosa criou os cinco filhos baseado na boa educação que tivera: “Eu, por exemplo, com 15 anos já era gerente da fábrica dos meus irmãos Zé Parma e Luizinho. Aos 13, as minhas despesas eram todas por minha conta e inclusive eu dava mesada para o meu pai”.

Louro destaca: “Eu falo sempre: ‘o trabalho dá dignidade para pessoa’. O trabalho é uma coisa fantástica, pra quem gosta e pra quem tem oportunidades, é claro”. Ele diz que tem esta visão porque pode acontecer da pessoa não ter oportunidades.

“Eu tive, meus irmãos tiveram. Meus filhos também tiveram porque foram criados comigo nesta rotina de trabalho de fábrica de móveis. Mas eu penso que é questão de você também saber fazer a oportunidade” declara.

Nosso entrevistado fala convicto: “Eu sempre digo aos meus filhos que vestir essa camisa de empresário é pesado. Não é mole. Claro que você tem a sua liberdade de escolha, de mando e desmando… Mas tem que ter em mente que todos os funcionários da empresa devem agir da seguinte forma: de onde você tirar o seu pé, ele deve colocar o dele. Pois a responsabilidade do patrão é muito grande, haja vista que o funcionário atende ao seu comando. Você não pode falhar. Infalível ninguém é, mas é necessário buscar errar o menos possível” aconselha.

Orgulhoso, Louro conta que um fato interessante e que contribui muito no crescimento de seus filhos foi o aprendizado que os cinco vivenciaram na época de funcionamento do Grande Hotel, localizado na Praça Guido:

“O Grande Hotel pertencia a nossa família e quem administrava lá é a minha esposa, a Dona Rosa, e eles eram os secretários dela auxiliando nas tarefas diárias. Lá, eles aprenderam muito. Naquele momento eu estava numa fase de desenvolvimento e criação. Eu estava viajando muito e o Grande Hotel foi uma escola para todos eles. Lá, eles iam ao banco fazer depósitos, atendiam telefone. E na medida que eles iam crescendo, um assumia a função do outro lá no hotel e o mais crescido assumia lugar na fábrica para me ajudar” relata.

Sociedade Parma

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Aos 21 anos, Louro assume junto aos irmãos a sociedade da fábrica. Porém, antes de investir na empresa, nosso entrevistado, entre seus 15 e 21 anos já tinha visão de empresário e queria ter o seu próprio negócio. “Eu cheguei a ter uma fábrica em sociedade com meu irmão, o Antônio, mais chamado de Lilim, que faleceu aos 22 anos por problemas cardíacos. Na ocasião, era uma fábrica de estofados e a noite eu fazia serão, utilizando as máquinas da fábrica do Zé Parma e do Luizinho fazendo esqueletos de estofados e depois levava pra casa”.

Com emoção, nosso entrevistado falou de “Lilim”: “Eu não poderia esquecer de falar dele nesta entrevista. Dos meus irmãos, ele era um verdadeiro artista. Ajustar uma porta de cristaleira, por exemplo, ele fazia como ninguém.  Ele era um estofador de mão cheia e nesta época, não existia nem espuma e nem plástico. O estofamento era feito com capim, que antigamente chamávamos de crina e algodão. O que identificava um bom estofador¿ Uma varinha com uma bolinha na cabeça, porque é onde ele enfiava o algodão nos cantinhos para fazer o arredondado do estofado. Esse era o verdadeiro estofador” detalha Louro com brilho nos olhos.

Ele também conta que quando começaram foi com muita dificuldade, de não ter dinheiro para comprar o tecido para fazer o estofado. “Nós não percebemos que na hora de cortar o tecido, fizemos o recorte de cabeça pra baixo. Resultado: nós não tínhamos dinheiro pra comprar outro. O estofado ficou pronto, lindo e maravilhoso. Porém, com as estampas de cabeça para baixo. Para o cliente comprar, tivemos que dar um bom desconto para aí sim, comprar mais tecido e fazer outro estofado” relembra sorrindo.

O Zé, seu irmão, como era muito esperto, estava percebendo que ia ficar sem o seu gerente. “E pra te ser muito sincero, eu gerenciava a fábrica dele como eu não gerenciava a minha. O meu interesse era aprender para que quando eu tivesse a minha, eu soubesse realmente como proceder” confessa.

Mas aí o Zé lhe fez uma contraproposta onde ele teria o seu salário, mais dois por cento em cima do que fosse vendido e fazendo as suas contas, Louro percebeu que seria realmente vantajoso pra ele. Olhando de outro ângulo, ele também não queria deixar o Zé que com muita garra e entusiasmo ajudou ao Luizinho e ao seu pai a lhe criar e a criar seus outros irmãos.

Um tempo depois… Louro disse ao Zé Parma que não tinha proposta e que ele realmente queria ter o meu próprio negócio. Foi aí que surgiu o convite para sociedade: “O Lilim ficou muito triste, porque ele já estava doente e era o sonho dele também o de ter a sua própria fábrica. Este meu irmão faleceu em uma casa grande que o papai construiu em uma propriedade que ele tinha. Na ocasião, estávamos somente eu e ele” conta com tristeza.

Aumento na produção de móveis

Na fábrica de Zé Parma, Luizinho e Louro tinha-se máquinas que eram usadas, segundo Louro, na base da gambiarra. “Na máquina, era pra trabalhar uma pessoa. Ali, eu conseguia colocar quatro funcionários para trabalhar. Nesse período, nós passamos por muitas dificuldades. A gente comprava muitos caixotes/caixas que vinham com bacalhau. Eram caixas bonitas, com tábuas de pinho e a gente aproveitava aquilo tudo. Nós transformávamos em móveis, depois a gente laqueava, pintava e aquilo tudo era aproveitado” conta.

Ele ainda relata que comprava-se costadeira das toras e transformava-lhes em peças miúdas, como cadeiras, por exemplo. “Era uma dificuldade que só Deus sabe. E para despachar esses móveis, a gente colocava tudo numa carroça e levava até a estação Leopoldina para ser transportado de trem. Foi até comprarmos o primeiro caminhão. Mas a linha ferroviária era o meio que tínhamos de levar toda nossa produção até o cliente”.

Taxados de polo que copia

“O Japão copiou muito tempo os Estados Unidos e depois passou na frente deles. Como diz o Chacrinha: “Nada se cria, tudo se copia”. Isto não aconteceu ou acontece apenas em Ubá, é no mundo inteiro. O que ocorre é um aperfeiçoamento e transformação. E nós fabricávamos, eram móveis baratos mesmo. Era o começo, nós não tínhamos dinheiro para investir em matéria prima de qualidade” pontua.

Prata da Parma

“O nosso começo foi muito bonito”. Segundo Louro, grandes empresários do nosso polo fizeram parte da história dos irmãos Parma: “O Generoso começou comigo aqui quando ele tinha uns 12 anos de idade. Ele é muito inteligente. Não é atoa que construiu um império. O Lopas era transportador de móveis nosso. Os meninos da Rondomóveis trabalharam comigo. Inclusive, a mãe deles é muito amiga da minha esposa. O Smael da Sier também é um grande empresário” fala orgulhoso e envaidecido.

Louro relata que ter participado da história destes grandes homens lhe dá uma vaidade muito grande, porque se sentir feliz em ver o desenvolvimento. “A indústria de móveis de Ubá é muito democrática e dá oportunidade pra todo mundo. Basta querer. Esses meninos de Rio Branco, da Bom Pastor, quando ainda trabalhavam em Ubá e eu estive na fábrica deles, logo vi que iriam prosperar. Trabalhavam em um lugar apertado… e aí eu te falo. É só querer. Outro homem que nós temos como exemplo é o Fernando Arquete. De uma cadeira de rodas ele comanda a fábrica dele. Isso é um exemplo de dedicação e serve de espelho pra qualquer um de nós” relata.

Legado

De acordo com Louro, o principal legado que ele deixa para os filhos é o aprendizado do trabalho honesto: “Eu sempre falo que eles têm que aprender enquanto eu estou aqui, vivo. E outra coisa. A responsabilidade se der certo é deles. Mas se der errado, também. Corre na minha veia a serragem de móveis. Eu gosto de palpitar. Gosto de dar a minha opinião. Mas hoje, a história tem continuidade com eles. O legado que eu deixo pra eles é o conselho: Juízo” conta às gargalhadas.

Louro ainda destaca que dias atrás um conhecido lhe abordou e lhe disse que gostaria de abrir um negócio que desse lucro. Convicto, nosso entrevistado respondeu: “Meu amigo. Lucro, qualquer negócio que você se propor a fazer, dá. Como também, qualquer negócio que você se propor a fazer pode te dar prejuízo. O que dá lucro é aquele negócio que é bem administrado. Aquele que você se dedica nos feriados, finais de semana, aquele que você batalha. O que dá prejuízo é aquele que o cara não quer nada com nada” conclui.

Obstáculos e Aprendizados

Nossa capa relata durante a entrevista que em conversa com seu irmão ele mencionou que o Juninho coloca ele, o Zé Parma, o Luizinho, todo mundo no bolso: “Eu sou daquele tempo que para fazer uma ligação pra Campos, ficava-se uma semana. Hoje, com o acesso a tecnologia, tudo ficou muito mais fácil” Louro ainda diz que uma das maiores reclamações dos filhos ao conversarem sobre o empresariado é referente a defasagem da mão de obra.

“Naquele tempo, você podia entregar ouro em pó ao seu funcionário que podia-se confiar nele. Se for comparar com o que nos deparamos hoje, realmente existe uma grande diferença. Mas eu falo com eles também sobre a variedade tecnológica que facilita e muito o trabalho deles. Eu costumo até brincar que tudo pronto seria bom demais” risos.

Mão de Obra

Ao abordarmos o tema e contando com a presença de uma das filhas de Louro, Gabriela, questionamos sua opinião sobre esta defasagem de mão de obra que o setor vive. Gabriela Parma é Diretora das lojas Parma Shop e durante o bate papo ela afirmou que infelizmente o governo oferece poucas opções de cursos profissionalizantes e infelizmente os adolescentes não querem se tornar bons profissionais.

“Os profissionais que a gente contrata, no laço, nós temos que dar treinamento dentro da fábrica com o processo de produção acontecendo. A gente tem que introduzir, ensinar a fazer para sair lá na frente com qualidade e na maioria das vezes pessoas que não tem nenhuma noção do que está fazendo. Outro problema que nós temos é o grande número de faltas por conta de álcool, drogas, crime e a rotatividade de funcionários infelizmente é muito grande. Pra você ter idéia, tem profissional que tem graduação e não sabe formular um e-mail, porque escreve tudo errado. Não consegue começar uma frase com letra maiúscula. Outra questão que foi citada pelo pai sobre as o avanço das tecnologias, realmente por um lado ajudam muito. Mas por outro, acabam prejudicando demais por conta do celular com internet, o fácil acesso as redes sociais e isto distrai demais a atenção dos funcionários. Na época do meu pai, acredito que é por isso que o funcionário era mais aplicado e tinha mais respeito pelo que era falado. Ele poderia não ter formação. Mas ele realmente prestava atenção no que estava sendo explicado. Hoje você fala, entra em um ouvido e sai no outro. Presta-se atenção em tudo. Menos no que você está falando” opina.

Brasil

Louro encerra a entrevista falando sobre o nosso Brasil: “Nós vivemos em um país maravilhoso e temos três bons candidatos: a Dilma, o Aécio e o Eduardo Campos. Eu acho os três bons e penso que o nosso país está prestes a passar por uma grande mudança. Ou passamos por uma transformação, ou não tem jeito. Essa série de coisas acontecendo. Essa onda de violência, corrupção e desrespeito assolando o Brasil. Isso tem que acabar. Tem que haver uma mudança” encerra.

Louro Parma hoje atua no ramo de loteamentos e construções após realizar um investimento na compra de 25 alqueires no Bairro Santa Edwiges.

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