Manga Ubá – memória afetiva e efetiva – Por Anderson Moreira

Uma rápida pesquisa em site de busca fornece informações sobre a Manga Ubá: valor nutricional, sabor ou visual do fruto. Chama atenção o fato de que as fontes dão destaque ao nome MANGA UBÁ, o que aumenta nossa responsabilidade para com esse patrimônio cultural do município. Por isso, convido vocês a refletirem comigo sobre o que nós, ubaenses, estamos fazendo para honrar essa referência.

Algumas tentativas do poder público de resguardar a Manga Ubá merecem destaque: 1. Decreto nº 925, de 1984: proíbe o corte da mangueira sem autorização de autoridade competente e também a retirada do fruto ainda verde; 2. Lei nº 2.827, de 1998: institui o dia da mangueira (19 de setembro) e o dia da Manga Ubá, no segundo sábado do mês de dezembro; 3. Decreto 4.258, de 2003: reconhece a mangada como patrimônio imaterial e a Manga Ubá como patrimônio natural do município.

As iniciativas são louváveis, mas são eficientes? Vejamos: todos nós que gostamos da cidade e a observamos com olhos de proteção e não de especulação, notamos uma drástica redução do número de mangueiras, não apenas no centro da cidade, mas também nos bairros. E mais, nesta época do ano, infelizmente, é comum ver crianças e adolescentes derrubando frutos verdes sem o menor respeito. Ademais, a festa da Manga Ubá já não faz parte do calendário de eventos oficiais da cidade. Falta fiscalização das autoridades competentes, falta consciência dos moradores.

Conclui-se que a patrimonialização feita de “cima para baixo” não é suficiente para resguardar qualquer bem, principalmente o natural. Na verdade, trata-se de um processo que não acontece sem a participação efetiva e afetiva da comunidade, no qual a legislação é uma consequência e não o início desse trabalho.

Portanto, não devemos cruzar os braços e esperar ações isoladas dos governantes. É responsabilidade de cada cidadão proteger esse patrimônio natural – que é de todos – através de pequenas atitudes: orientação a quem derruba frutos verdes, retirada de ervas de passarinho (no caso de proprietários) e, sobretudo, cobrar do governo mais eficiência para garantir às futuras gerações o privilégio de saborear a Manga Ubá.

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