Neuza Aparecida Vieira: Mulher de aço e de flores

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Peço licença ao querido Padre Fábio de Melo por apropriar o nome de um de seus livros no título desta matéria. Ocorre que não encontrei definição mais adequada para Neuza Aparecida, uma mulher de aço por tudo que enfrentou e de flores pela sensibilidade que esconde na alma. Dona de casa, 49 anos, na busca de forças para continuar – essa é a vida da guerreira após o filho ter falecido. Há mais de um ano, o anjo Douglas foi bater suas asas no céu. E por aqui ficou a saudade. Saudade de um sorriso que nem mesmo a partida é capaz de apagar.

Neuza era casada. Ela e o marido não podiam ter filhos mesmo após uma série de tratamentos. A partir daí o casal resolveu adotar. Nesse ínterim, Douglas havia sido abandonado no hospital de Governador Valadares – MG, após sua mãe biológica ter tomado medicação para perder a criança. No entanto, milagrosamente ele nasceu mesmo anêmico e muito desidratado. Familiares de Neuza que residiam na cidade comunicaram-na e ela prontamente foi ao hospital conhecer o bebê. “Foi amor à primeira vista” – conta, acrescentando que queria trazer a criança para Ubá assim que a viu. Nascia naquele momento uma linda história de carinho, dedicação e cumplicidade, eternizada na memória e no coração de quem a presenciou.

Douglas foi adotado em oito de dezembro de 1993, ele era a alegria da casa. No entanto, passados seis meses de convivência, os pais começaram a notar que o menino risonho não conseguia sentar, nem segurar objetos. Foi quando veio o diagnóstico dos médicos: paralisia cerebral, fruto dos medicamentos agressivos ingeridos pela mãe biológica. “O impacto foi grande, todos ficaram tristes. Mas o amor que a gente tinha por ele era maior que qualquer deficiência. Meu filho foi muito amado” – declara Neuza que lutou até o fim por recursos para tratar a doença. Segundo ela, Douglas fazia fisioterapia para não agravar a situação, porém, após certa idade, os músculos do seu corpo atrofiaram ainda mais e ameaçaram comprometer os órgãos internos.

“A escoliose dele estava quase a 70 graus, começando a comprimir o pulmão. A única saída era fazer uma cirurgia. Se ele não operasse, eu teria que montar uma UTI dentro de casa, porque a doença já estava prejudicando os órgãos. Resolvi levá-lo a dois médicos

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Neuza, ao lado do filho, Douglas, e da sobrinha.

em Juiz de Fora, mas os diagnósticos foram o mesmo” – recorda. Douglas foi operado e embora tenha ficado bastante deformado, com 22 parafusos na coluna, ocorreu tudo bem durante o procedimento. Em seguida, ele foi encaminhado primeiro à UTI Neonatal e, posteriormente, à UTI comum, onde contraiu pneumonia e, infelizmente, não resistiu. “Ele tinha muito medo de morrer. Quando contei da cirurgia, ele chorou demais, colocando as mãos sobre o coração” – conta a mãe emocionada.

Apesar da saudade, Neuza nos revela que tem a consciência tranquila, tendo em vista que vivia para o filho. “Eu só não respirava por ele” – diz. “Se eu tivesse que ir a algum lugar e pudesse levá-lo, eu ia. Se não pudesse, ficava em casa. Fiz o que estava ao meu alcance. O Douglas era tudo para mim” – completa.

O garoto, especial em todos os sentidos, faleceu aos 21 anos de idade. Tinha hobby por bonés, adorava Whatsapp e videogame, e era alucinado pelo time Botafogo. No entanto, muito além dessas paixões, Douglas deixou saudade, sorrisos inesquecíveis e uma lição: reclamar da vida é comodidade. Difícil mesmo é batalhar por ela. Batalhar pelo “simples” fato de respirar. Ele mudou a maneira de viver da própria mãe, e mesmo não estando mais entre nós pode também mudar a sua. Basta prestar atenção no aprendizado que ele deixou.

Obrigada, Neuza, por tamanha generosidade. Conhecer a história de você e seu filho foi um presente! Algo que iremos levar Por Toda A Nossa VIDA.

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