O “15 de novembro” pode ser mais que uma data comemorativa!
Coluna Patrimônio Cultural – Novembro 2016
anderson

Anderson Moreira é Professor de História das redes municipal e estadual de ensino. É especialista em História do Século XVIII.

     Há quem não saiba, mas o feriado de 15 de novembro marca o dia em que o Brasil deixou de ser uma monarquia para ser uma república, em 1889. Assim como outras datas nacionais, esta também passa quase despercebida pela maioria dos brasileiros. Por exemplo, o que comemoramos no dia 7 de setembro? E em 21 de abril? Temos também o dia 23 de julho de 1840, 24 de outubro de 1930 e 31 de março de 1964. Você se lembra de alguma dessas datas?

     O “7 de setembro” é o dia da independência do Brasil. Talvez seja o mais lembrado, em função dos desfiles. Já o “23 de julho” marca o início do segundo reinado, quando dom Pedro II passou a governar o país. Em 24 de outubro de 1930, aconteceu o movimento que levou Getúlio Vargas ao poder, onde ele ficou durante 15 anos. A data de 31 de março marca o início de um dos períodos mais obscuros da nossa história: a ditadura militar. Algumas dessas datas são feriados, outras não.

     A memória é seletiva, ou seja, costumamos guardar em nossas lembranças aquilo que nos interessa, mas também o que somos levados a lembrar. Vamos entender isso: a proclamação da república, na verdade, foi um golpe, arquitetado pelos militares. Para que o novo regime desse certo era preciso que a população estivesse coesa, unida. Por isso trataram de criar símbolos nacionais, como a bandeira e o hino, além de desmoralizar o regime anterior, a monarquia. Um exemplo disso é a comemoração pelo dia 21 de abril. Tiradentes foi esquecido por aqueles que o mataram injustamente – pois sabe-se que ele não exerceu papel de liderança na Inconfidência Mineira –, mas foi lembrado quando tal memória interessava aos novos governantes.

     Atualmente vivemos a mesma situação: tentativas de manipulação de memória após a execução de um golpe político. A atuação do governo federal, disposto a barrar o avanço das conquistas sociais, demonstra essa ruptura com o passado. Sendo assim, será que não passamos de marionetes nas mãos desses grupos, que se revezam no poder e trabalham para que de tempos em tempos nos esqueçamos de alguma coisa?

     Para tais perguntas não há uma resposta concreta, mas há um caminho. Paulo Freire, um dos grandes educadores deste país, disse uma vez que “A educação não transforma o mundo. A educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”. Que as datas comemorativas sirvam para lembrar nossa realidade e preparar melhor o futuro!

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