“Ô ABRE ALAS” – Por Anderson Moreira

Carnaval é a festa popular mais celebrada no Brasil, um elemento da cultura nacional. Mas não é uma invenção brasileira! Há registros de comemorações pagãs que remontam à antiguidade.
A palavra tem sua origem no latim (carnis levale), que significa “retirar a carne”, uma relação com o jejum que deveria ser realizado durante a quaresma – uma tentativa da Igreja Católica de enquadrar essa festa pagã aos dogmas de Roma.
A primeira manifestação do carnaval no Brasil foi o “entrudo”, festa de origem portuguesa praticada pelos escravos no período colonial. Depois surgiram os cordões e ranchos, as festas de salão, os corsos e as escolas de samba. Afoxés, frevos e maracatus também passaram a fazer parte da tradição cultural carnavalesca brasileira, seguidos pelas marchinhas, sambas e outros gêneros musicais que foram incorporados à maior manifestação cultural do Brasil.
Um dos nomes de maior destaque na popularização do carnaval no país é o da compositora Chiquinha Gonzaga, autora de “Ô Abre Alas!”. A música foi composta para o cordão Rosas de Ouro, que desfilava pelas ruas do Rio de Janeiro animando os carnavais de rua na antiga capital do Império.
Em Ubá, nas décadas de 1.980 e 1.990 tivemos um dos melhores carnavais da região, quando as escolas de samba atraíam foliões para a Cidade Carinho. Muitos de nossos jovens nem imaginam, mas os hotéis ficavam lotados. Agremiações como Império da Vila Casal e Unidos do São Domingos, dentre outras, agitavam os dias de folia. Quem viveu essa época lembra-se das matinês dos clubes Tabajara, “Tênis” e “Associação”…
Atualmente assistimos ao processo inverso: muitos ubaenses viajam para o litoral, esvaziando a cidade. Infelizmente, parte da tradição cultural do Rei Momo perdeu espaço para cópias mal sucedidas de micaretas. Sinceros aplausos para tradicionais blocos, como Alvorada, Xaxá, Embocadura e Piranhas, que persistem na animação dos foliões.
Sem saudosismo, apenas para registrar: o carnaval já teve dias melhores por aqui…

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