O dom de ser Avós
(E ter o melhor colo do mundo)

Raquel de Queiroz já dizia: “netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. Sim, tenho certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensarde todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis. Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que delícias”.

Embora não tenha sido avó por laços sanguíneos diretos, mas pelo coração que é o mais importante, a célebre escritora e jornalista Rachel parecia entender do assunto. Os netos são mesmo uma dádiva. Não deve haver nada mais gracioso do que ver seu próprio filho concebera vida a outra pessoa. E convenhamos que para os pequenos, não há nada melhor do alguém que possa mimá-los.

Quem não ama passar aquela tarde gostosa na casa dos avós? Comer várias guloseimas que os pais não deixam, fazer “arte” ou ouvir a mesma história pela milésima vez são programas que só se fazem no lar desses amados velinhos (as vezes nem tão velinhos assim).Tal qual é maravilhoso para o neto ter alguém que possa lhe dar colo, os avós são maravilhados com o dom que Deus lhes concedeu.

 

Amélia Rosa Meireles Candian, 52 anos: a vovó surpresa

Amélia Rosa Meireles Candian

Amélia se tornou avó aos 45 anos, ela conta que tomou um susto quando recebeu a ligação da cidade onde seu filho João Paulo morava. Ao telefone estava a namorada dele, Poliana, quem lhe deu a notícia sobre a gravidez. Apesar de a novidade ter sido bastante inesperada, a então futura vovó deu todo o apoio necessário, acompanhando a gestação à distância. “Participei de tudo e a cada notícia era uma emoção diferente. Comprava coisas diversas parao Cauã e quando ele nasceu fiz questão de levar o enxoval. Eu estava em êxtase, como se estivesse sendo mãe outra vez”, revela.

Anos depois os filhos Monique e Rafael disseram à Amélia que também seriam pais simultaneamente, uma surpresa dobrada! Os netos nasceram com pouco tempo de diferença, sendo Matheus no dia 03 e a Alicia dia 11 de março. De repente a família aumentou de maneira impactante e especial. “Não se explica essa sensação de prazer e alegria. É um sentimento maior, um amor incomparável”, diz.

Aos 52 anos ela cuida dos netos para os pais trabalharem, e sempre que pode busca o mais velho que mora com a mãe em outra cidade. A vovó diz que quando Cauã, Matheus e Alicia se juntam é uma festa e fica contente de vê-los brincando unidos. “Adoro ir com eles para o clube, a gente se diverte muito junto, estar com esse trio é meu melhor passeio”, revela.

“Ser avó é amar em dobro, cuidar em dobro e desejar o bem a família. Amar todas as horas do dia, preocupar e receber todo o carinho que eles têm a nos oferecer. É uma sensação de muito orgulho ter meus netos por perto e sermos tão felizes. É um sentimento recíproco munido de cuidados e muito carinho”, encerra.

 

Francisco Marino de Azevedo, 75 anos: o vovô coruja

Francisco Marino de Azevedo

Tem vovô de primeira viagem na área! Francisco ganhou seu primeiro netinho há 11 meses. A novidade veio através do telefonema de seu genro Luciano dizendo que sua esposa, Marina, estava grávida. Apesar da distância, ele acompanhou tudo, algumas vezes de perto e outras via telefone ou internet pelo fato da filha morar em Belo Horizonte e Marino em Ubá. “A emoção foi tamanha que não me contive, as lágrimas brotaram, faltou fôlego. Foi a melhor notícia que eu poderia ter recebido,um grande sonho que se tornou real”, comenta.

A ansiedade se instalava, Francisco andava sempre de olho nas vitrines das lojas infantis almejando que o tempo passasse rapidamente a fim de que pudesse conhecer o bebê. Meses depois o pequeno veio ao mundo trazendo uma emoção que segundo o avô é indescritível.“Ter aquele pacotinho, todo embrulhadinho nos braços, realmente é mágico. A preocupação com o jeito de pegar para não machucá-lo e todos os demais cuidados eram substanciais, porém o mais importante naquele momento era agradecer a Deus pela chegada do meu João”, explica.

Para o administrador de empresas e estudante de Direito, a distância é o que mais machuca. Ele conta que quando não pode estar perto do neto, tenta se contentar com fotos e vídeos enviados por sua filha.  “Sou avô coruja, confesso. Do tipo babão mesmo. O pensamento fica voltado direto para ele. Uma vontade grande de ver e ter notícias frequentemente. As preocupações são constantes e não vejo como ser diferente. Melhor seria estar perto o tempo todo”, confessa.

Marino se recorda do grande dia em que João veio ao mundo. “Nada é tão especial quanto o primeiro contato. A primeira vez que o vi,que peguei no colo, senti o seu cheirinho e escutei o chorinho… Isso tudo fez com que o momento se tornasse único. Uma lembrança que ficará congelada na memória para sempre. Quando eu achava que já havia recebido tudo de Deus, Ele me fez avô!”, ressalta.

Francsico se emociona ao falar sobre a sensação de ter um neto. “Ser avô é voltar ao passado, viajar a um tempo gostoso, buscar na memória momentos encantadores vividos com os filhos e, com certeza, realizar muitas coisas que não foram concretiadas. Quero adoçar a minha vida e a do João, andar de quatro só para vê-lo sorrir e voltar a ser criança para quem sabe, satisfazer alguma vontade dele. Amo intensamente meu neto”, conclui.

 

Emília Maria Azevedo da Silva, 53 anos: a vovó jovem

Emília Maria Azevedo da Silva

O nascimento da primeira neta de Emília aconteceu quando ela tinha apenas 37 anos. Segundo a avó foi uma surpresa para a família toda, pois sua filha Samantha ainda era nova, mas mesmo assim todos ficaram felizes e emocionados com a chegada da pequena Júlia. Ela acompanhou toda a gravidez ao lado da filha e ressalta que o sexo do bebê não era relevante naquele momento, o mais importante era que a criança viesse com muita saúde.

“E então chegou o tão esperado momento. Segurá-la no colo e ter o privilégio de dar o primeiro banho foram as emoções mais maravilhosas que senti. A sensação de carregar um neto nos braços é maior do que a de carregar um filho. São poucas mulheres que têm o privilégio de ser avó na minha idade”, revela.

Logo vieram outros netos para alegrá-la. Segundo Emília sua relação com eles é muito boa, logo tenta passar bastante tempo ao lado de todos e aproveitar esses momentos especiais. Aos 53 anos a vovó é contemplada com Júlia, a mais velha, que fez 16 anos recentemente e Henrique de 12 anos que são filhos da Samantha. Já Lucas de 2 anos e a pequenina Manuella de apenas 5 meses são filhos do Celso. Seu filho Francisco ainda não é papai.

Com o interior repleto de gratidão e a presença de quatro vidas especiais em sua existência, Emília encerra: “agradeço a cada dia pelos queridos netos que tenho. Amo muito vocês!”

 

Ronaldo Mazzei, idade secreta. O vovô poeta

Ronaldo Mazzei e seu neto Rafael

Ronaldo se tornou vovô há apenas 12 meses, mas ele revela que desde o casamento de seu filho Rodrigo e sua nora Paula, estava aguardando a notícia. E não demorou muito para ser premiado com o neto Rafael, tão esperado por toda a família.Nesse período, a sua outra filha Renatajá comprava várias roupinhas para o sobrinho. Ronaldo nos conta que não há como descrever a sensação de pegar um neto no colo. “Queria ser um Drumonnd ou um Vinicius de Moraes para empunhar a pena e escrever algo assim – O brinquedo mais simples, aquele que qualquer menino é capaz de fazer funcionar, chama-se Avô”, diz.

O então aposentado que está concluindo o curso de Jornalismo fala que o neto o aciona como uma espécie de pilha, interagindo como se ambos fossem da mesma idade. “Sou sim, um avô coruja assumido! Recomecei, em todos os sentidos. Sou outro homem, a felicidade, esta coisa inexplicável, bateu à minha porta, e chegou como um vinho do Porto, do qual tomo um cálice a cada dia. Vou prolongando essa alegria com o Rafa indefinidamente, depois vou dividir com o segundo, o terceiro, o quarto neto e por aí em diante”, comenta.

O sentimento e a emoção de ter uma nova geração em sua família, Ronaldo chama de “indescritível” e fala também da satisfação em ver todos reunidos tomando um bom vinho e jogando conversa fora na mesa de jantar. Além é claro, do grande amor que tem pelo bebê que acabou de completar 1 aninho. “São inúmeras as definições que afloram nesta cabeça, mas digo que ser avô é dar carinho em dobro, em triplo, carinhos mil ou sem fim”, revela.

“Os pais criam nossos netos repassando os ensinamentos que receberam. E acredito que tanto eu como a Bibi – minha falecida mulher que sonhava em ser uma vovó corujíssima – e os outros avós, a Lucia e o Zé Aroldo, criamos o Rodrigo e a Paula orientando-os para seguir os caminhos da retidão. O resultado dessa receita é que eles criam e nós colaboramos (e atrapalhamos um pouco, é claro) fazendoescondido as vontades dos netos”, encerra.

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