Policial Militar se apresenta, confessa o crime e entrega a arma da corporação à Polícia Civil
Desde os 15 anos o policial possui problemas de depressão e psiquiátrico

Por Juliana Campos e Higor Siqueira

Após uma hora de apresentação na sala do Delegado responsável pelo caso, Dr. Rafael Gomes de Oliveira, Alexssandre Policarpo sai da delegacia escoltado por quatro policiais militares sem pronunciar uma palavra com a imprensa. Foto: Higor Siqueira.

Após uma hora de apresentação na sala do Delegado responsável pelo caso, Dr. Rafael Gomes de Oliveira, Alexssandre Policarpo sai da delegacia escoltado por quatro policiais militares sem pronunciar uma palavra com a imprensa. Foto: Higor Siqueira.

O Policial Militar Rodoviário Alexssandre Policarpo, acusado de matar o vendedor Gustavo Ribeiro de Paula (26) se apresentou para polícia, juntamente com a arma do crime (pistola .40) pertencente a corporação no final da tarde de hoje, segunda-feira (28), na presença do seu advogado.

A apresentação estava marcada para às 14h00 da data de hoje conforme acordado entre o advogado do autor e o Delegado responsável pelo caso, Dr. Rafael Gomes de Oliveira. Porém, o policial e seu advogado só compareceram à delegacia por volta das 17h00.

O caso está sob investigação do Delegado Titular da Delegacia de Antidrogas e Homicídios Dr. Rafael Gomes de Oliveira e o mesmo, em entrevista, relatou a confissão do autor dos disparos:

“O autor confessou a autoria do crime e nos forneceu detalhes que precisavam

Além de se apresentar, o autor dos disparos contra Gustavo Ribeiro de Paula entregou a arma usada no crime com as munições que continham dentro da mesma. Foto: Higor Siqueira.

Além de se apresentar, o autor dos disparos contra Gustavo Ribeiro de Paula entregou a arma usada no crime com as munições que continham dentro da mesma. Foto: Higor Siqueira.

ser esclarecidos para uma melhor elucidação dos fatos. Ele nos confessou que no dia do crime ele esteve na Av. Cristiano Roças, para buscar a esposa no trabalho. Após pegá-la, juntamente com o filho foram realizadas algumas compras para um aniversário que aconteceria no dia seguinte. Quando eles já estavam retornando para pegar o veículo, passando em frente à loja aonde a vítima trabalhava, a mesma se encontrava na calçada e segundo o autor, Gustavo teria lhe olhado com olhar de deboche, com ar de provocação, razão pela qual, naquele momento, ele teria perdido a cabeça, atravessado a rua, ido de encontro a vitima, que correu. O autor relatou que foi atrás do mesmo, efetuou os disparos e, segundo ele, só se lembra do momento em que estava saindo da loja, pegando o carro na companhia da esposa e do filho e se dirigindo até a saída para Rodeiro, parando em um posto. Ali, ele afirma ter discutido com a esposa, pedindo que ela saísse do carro e, posteriormente fugiu” relata.

De acordo com Dr. Rafael, desde os 15 anos o autor do crime possui problemas de depressão e psiquiátrico: “Segundo relato dado pelo autor, ele já passou por diversos tratamentos fazendo uso de remédios controlados e frequentando terapias”.

O assassinato ocorrido na última sexta-feira, que vitimou Gustavo Ribeiro de Paula, de 26 anos atraiu a atenção da imprensa local e regional. Nesta foto, o Delegado responsável pelo caso, Dr. Rafael Gomes de Oliveira concede entrevista para a TV Alterosa. Estiveram no local, durante toda tarde, aguardando a apresentação do autor do crime o Grupo Um de Comunicação, Rádio Educadora, o Jornalista Cláudio Oliveira, o portal de notícias Ubá em Pauta e a Revista Fato através do repórter Higor Siqueira. Foto: Higor Siqueira.

O assassinato ocorrido na última sexta-feira, que vitimou Gustavo Ribeiro de Paula, de 26 anos atraiu a atenção da imprensa local e regional. Nesta foto, o Delegado responsável pelo caso, Dr. Rafael Gomes de Oliveira concede entrevista para a TV Alterosa. Estiveram no local, durante toda tarde, aguardando a apresentação do autor do crime o Grupo Um de Comunicação, Rádio Educadora, o Jornalista Cláudio Oliveira, o portal de notícias Ubá em Pauta e a Revista Fato através do repórter Higor Siqueira. Foto: Higor Siqueira.

O Delegado responsável pelo caso também explicou que uma vez comprovado por atestados médicos e perícias que o autor possui esses tipos de distúrbios e problemas psiquiátricos, cabe sim, à corporação, de posse desses exames, tomar a melhor decisão no sentido de afastá-lo das ruas, não deixando que o mesmo tenha o porte de arma para não apresentar  perigo para sociedade.

“Após o autor se entregar ele foi liberado e agora as investigações terão prosseguimento. Ele se apresentou fora do flagrante, entregou a arma do crime juntamente das munições que estavam dentro da pistola que foi utilizada na prática dos disparos. Nós vamos ouvir a esposa e demais testemunhas, colher mais elementos de informação, para chegar a um inquérito final e remeter esse resultado para justiça” esclarece.

Mas a população e familiares clamam por justiça. O que poderia ter sido feito de concreto para que o autor do crime fosse preso após se entregar? Segundo Dr. Rafael o crime aconteceu na sexta-feira à noite e o expediente do fórum retornou somente na data de hoje, segunda-feira após o meio dia. “Portanto, não houve tempo hábil de representar a prisão preventiva do autor, tendo em vista as circunstâncias do crime”.

O Delegado ainda explica que a lei garante que o autor que se apresenta e colabora com as investigações, a lei garante que ele não seja preso. “Porém, nada impede que no curso das investigações, nós possamos representar a prisão preventiva e o mesmo ser recolhido” ressalta.

“O mais interessante, por hora, do ponto de vista das investigações, seria a confissão do autor, a identificação do mesmo e retirar a arma que foi utilizada no crime. Nós intimaremos a esposa dele, para que ela preste depoimento e esclareça todos os pontos para que possamos analisar até onde vai à participação dela neste homicídio… se ela possui algum grau de culpa e como se deram os fatos”.

Dr. Rafael encerra: “A Polícia Civil de Minas Gerais trabalha de forma totalmente profissional e imparcial. Portanto, independente de quem seja o autor, a partir do momento que ele infringiu uma lei, nós agiremos em conformidade com ela trazendo todas as penas previstas. A lei o faculta de se apresentar e não ser preso neste momento. Repito, nada nos impede de posteriormente, representarmos junto ao juiz de direito da comarca e pedir a prisão do mesmo. Independente do fato dele ser um policial militar ou dele possuir qualquer outra profissão, ele será tratado da mesma forma que todos os outros autores de crimes de homicídio ou qualquer outro crime são tratados. Portanto, não há nenhum benefício para o mesmo. Não há nenhuma regalia. Nós vamos trabalhar da mesma forma que estamos trabalhando em outros casos que a sociedade ubaense já conhece”.

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