Política, reforma da previdência e patrimônio cultural

Anderson Moreira é Professor de História das redes municipal e estadual de ensino. É especialista em História do Século XVIII e é colunista há quase seis anos da Revista Fato! Foto: Fotografe.

A reforma da previdência é uma boa oportunidade para discutir sobre a maneira como se faz política neste país, ou melhor, como não se faz. Política é a arte de negociar, porém tal conceito está muito longe da prática de alguns políticos brasileiros, cujo desempenho inclui distorcer os fatos e falar meias verdades em discursos de anticorrupção. Com o apoio da grande imprensa, que leva a “lei de Gerson” ao pé da letra, eles manipulam a opinião pública para obter vantagem em tudo, principalmente por que milhões de brasileiros e brasileiras são vítimas de um modelo educacional que ajuda a disfarçar um jogo de poder que permanece desde o período colonial.

Esse sistema de dominação é reproduzido há séculos no Brasil e, por isso, ainda somos um país de contrastes negativos. Temos inúmeros recursos naturais, mas convivemos com o fantasma da crise hídrica, grandes extensões de terra nos possibilitam praticar uma agricultura extensiva, mas a desigualdade social ainda persiste de forma grave e injusta. Somos uma população miscigenada, mas o preconceito, mesmo que velado, é uma triste realidade. Por que isso acontece? Uma explicação pode ser a ganância de grupos cujo poder se perpetua em alguns locais onde se mudam os nomes dos candidatos, os partidos e as formas de governar, no entanto a essência é a mesma: o cargo público é visto por muitos como caminho para benefícios e enriquecimento pessoal.

Por incrível que pareça, tudo isso diz muito sobre o campo do patrimônio cultural, onde a memória e a identidade, muitas vezes, servem como tábuas de salvação para os agentes públicos. Alguns desses “defensores do patrimônio” usam dos discursos de preservação como estratégia para conquistar espaço na mídia. Assim, em vez de promover a cidadania através do acesso aos bens culturais, os processos de patrimonialização acabam fortalecendo mecanismos de politicagem. Tais mecanismos acabam por promover o distanciamento da população de alguns direitos constitucionais, como saúde, educação e seguridade social, ou seja, aposentadoria.

É claro que medidas drásticas são necessárias para que o país volte a crescer e mantenha um mínimo de segurança econômica para os brasileiros. Contudo, essa forma de não fazer política, implementando medidas de “cima para baixo” (como elevar a idade mínima para se aposentar) demonstra que os mais pobres, novamente, vão pagar a conta. Se o governo, principalmente deputados e senadores, tivesse a pretensão de fazer política, no sentido real da palavra, outras alternativas poderiam surgir, talvez com a proposta de consequências para todos os segmentos sociais, não apenas para a classe trabalhadora.

Crédito da foto de destaque: nosdoinss.blogspot.com.br

 

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