Por toda a minha VIDA: Jorge Antonio Tonietto
Por Vanessa Santos

Nossa nova editoria nasce em um momento especial e com um personagem mais que especial. Entretanto, a criação de “Por toda a minha VIDA” não aconteceu apenas porque é Natal, e sim porque sempre é tempo de acreditar e de perceber que a vida é o maior presente que recebemos. Para abrir o espaço onde contaremos emocionantes histórias de superação, tivemos o prazer de entrevistar uma figura muito querida em nossa cidade, um homem dono de um coração que não cabe em si.

dscn3713

José Antônio Tonietto.

Jorge Antonio Tonietto nasceu em maio de 1956, na cidade de Ubá. Casado com Cleuza Vieira Tonietto há 36 anos, é pai de três filhos, Ana Cláudia, Marcelino e Priscilla, e avô de seis amados netos. Há cerca de um ano, Jorge descobriu um câncer na língua. Quem o vê sorridente pelo campus da Fagoc – Faculdade Governador Ozanam Coelho, instituição onde trabalha há seis anos com grande orgulho, não imagina as lutas que este gigante de alma já enfrentou.

O auxiliar administrativo é famoso por recepcionar os alunos na catraca da faculdade. Ele seguia uma rotina normal, até perceber uma afta na língua que nada curava. Mesmo medicando-a, a ferida se abriu. Foi quando Jorge procurou o amigo e cirurgião-dentista, Dr. Antônio Queiroz, para uma consulta. Ao notar que a situação poderia estar ligada a algo mais delicado, o dentista solicitou exames específicos. Feita a biópsia e confirmado o tumor, Jorge precisou se afastar por quatro meses do trabalho para realizar um tratamento intensivo na Fundação Cristiano Varella – Hospital do Câncer de Muriaé.

“Quando descobri, faltou chão. Só quem já enfrentou essa doença sabe a dificuldade que é”, conta Tonietto emocionado. Como não podia operar em virtude de problemas cardíacos, ele passou por várias sessões de quimio e radioterapia, e emagreceu mais de vinte quilos, perdeu muita saliva e teve parte da audição afetada. Hoje, embora não possa mais praticar atividades que gostava como andar de bicicleta, Jorge se considera praticamente curado. No entanto, ele retorna ao hospital periodicamente e o tratamento durará cerca de cinco anos.

Homem de sorriso constante e uma simpatia particular, ele aproveita para agradecer ao diretor da Fagoc, Marcelo Andrade, peça fundamental em seu processo de luta contra o câncer. “Agradeço ao Marcelo pela sua interseção junto a Fundação Cristiano Varella. Ele foi um dos responsáveis para que eu começasse o mais rápido possível o meu tratamento. E quanto mais cedo você identifica a doença, maior é sua chance de cura”.

Ao se referir à esposa, Cleuza, grande companheira durante a caminhada, Jorge não contém as lágrimas. “Agradeço por tudo o que ela fez por mim. Por estar do meu lado me ajudando. Ela me acompanhou em todos os momentos”, relata emocionado.

img-20161109-wa0052

Jorge e sua família.

Além de um marido dedicado, Jorge é um pai exemplar, avô apaixonado pelos netos e um dos funcionários mais queridos pelos alunos e colegas de trabalho, na Fagoc. Também pudera! Ele sente um amor incondicional pela faculdade, a qual denomina carinhosamente de segunda família: “O seu trabalho é o que sustenta a sua casa, e quando você está numa empresa como essa, que valoriza o funcionário, é muito gratificante. A gente não tem dificuldade nenhuma no relacionamento com a diretoria. Os administradores são pessoas voltadas para o crescimento da instituição. Então, quando você vê uma gestão focada nos colaboradores, você se dedica de corpo e alma, e o crescimento da empresa é o seu também”.
Quando perguntado sobre pessoas que também estão passando por algum tipo de enfermidade, ele deixa uma mensagem: “É preciso ter esperança e muita fé. Ter autoconfiança e acreditar que as coisas vão melhorar. Você não pode se entregar. Se você se entrega a doença piora ainda mais”. E aproveita para alertar quanto à importância da prevenção: “Fazer os exames em dia é fundamental. O câncer não escolhe sexo, idade, cor, dinheiro. É uma doença silenciosa.
Diante de qualquer sintoma incomum é preciso procurar um médico”.

Atualmente, Jorge enxerga a vida de uma maneira diferente. Após ter fumado durante muito tempo – fato que o colocou no grupo de risco desse tipo de tumor – ele se arrepende de ter agido de tal forma, negligenciando sua saúde. Apesar disto, o guerreiro assume que sempre transbordou alegria e vontade de lutar. Para Tonietto, “viver” agora tem outro sabor, longe de ser o da nicotina: “Eu sempre dei muito valor à vida, mas acho que não o suficiente. Porque fumava, bebia. Hoje eu tenho uma razão para seguir”.

Esse é Jorge Antonio Tonietto – dono de uma personalidade admirável. Anda de mãos dadas com a honestidade. Um ser humano incrível, munido de uma fé impressionante e que redescobriu o valor da vida. “Uma das coisas que eu guardo nos meus 60 anos de idade é nunca perder a esperança. Cada dia é um dia novo. Eu acho que dificuldades todo mundo tem, basta saber superá-las”. E ele soube, como poucos. Jorge é prova de que vale a pena lutar, e principalmente, viver. Viver com paixão e alegria, na certeza de que cada segundo é único. E que tudo o que temos é o agora.

ENTRE NA REDE FATO!