Presidente do Intersind afirma que o polo moveleiro não está falido e fala sobre as expectativas para a Femur 2016
Por Juliana Campos

Confira a seguir a entrevista que a equipe de reportagem da Revista Fato realizou com o Presidente do Intersind, Michel Henrique Pires.

ENTREVISTA:

Como você avalia a crise econômica vivenciada em nosso país e especificamente em nosso polo moveleiro!?

Michel: A crise chegou maior que o esperado, o consumo desabou, mas pior do que isto, a inadimplência está muito alta, com isto, sofremos mais, baixo faturamento e tentar receber o que foi vendido está sofrido demais.

Michel Pires - Presidente do INTERSIND.

Michel Pires – Presidente do INTERSIND.

Hoje o Intersind teria um número exato ou aproximado de funcionários do polo moveleiro de Ubá que foram demitidos por conta da crise nos últimos dois/três meses?! Como você avaliaria a gravidade da crise?

Michel: O número exato não temos, mas vai ficar em torno de 2.000 funcionários nestes cinco primeiros meses do ano. São funcionários demitidos de empresas que diminuíram o quadro ou que fecharam as portas. Alguns funcionários foram recontratados para outras empresas, mas acredito que nem 20% tiveram esta sorte. A crise é grave, baixo consumo, alta inadimplência e uma inflação batendo a porta, além do dólar se valorizando, aumentando mais nossos custos. Todos aqueles que investiram esperando um aumento do consumo, tiveram de reaver os planos, e o problema maior foram os que contavam com um aumento de faturamento para pagar as contas de financiamentos, estes vão passar mais apertos ainda.

Você apontaria esse caos da crise em todas as empresas do polo moveleiro de Ubá, ou temos algumas especificamente que estão conseguindo se sobressair e vencer este momento conturbado?!

Michel: Uma crise sempre atingi todas as empresas, algumas menos e outras mais, não existe um padrão, com certeza vamos ter empresas que vão sair da crise arranhadas, outras vão fechar, mas lidar com inadimplência e baixo consumo, não tem como se beneficiar em uma crise.

Sobre a manifestação do Deputado Alencar da Silveira no Plenário da Câmara dos Deputados, o que você teria a nos dizer?! Os dados que ele disse são reais?!

Michel: A crise existe no polo, como em todo o país e em outros setores da economia, o que não existe foi o que ele disse “o polo de moveis de Ubá está falido, está quebrado”. Isso não é verdade, e soou muito mal para o Polo. Em qualquer “roda” de conversa de empresários moveleiros, seja lojistas ou fabricantes de móveis e matéria prima, este assunto está presente, que o polo está quebrado, que não vai pagar as contas, que não vai entregar os pedidos. O que não é realidade, temos muitas empresas bem, lógico que sofrendo, mas que vão honrar com todos os compromissos, tanto de pagamentos de matéria prima, impostos e salários, quanto de entrega dos pedidos realizados pelos representantes.

Recentemente, tivemos a triste notícia que a Itatiaia Móveis mandou embora aproximadamente 300 funcionários, somando Ubá, Sooretama e Belo Horizonte. Os colaboradores desta empresa que permaneceram, bem como de outras, sentem-se inseguros e instáveis com relação ao seu emprego. Você veria uma estabilidade para esta crise se aproximando?!

Michel: É difícil ver o final da crise, mas pelo que tenho conversado com clientes o mercado estabilizou, ou seja, a queda do volume de vendas parou, e vamos ter de nos adequar à nova realidade, ao novo volume de vendas, um novo “ponto de equilíbrio” para manter as empresas sadias, faturando menos, mas com lucro. E estamos chegando na época em que os clientes encomendam para aguardar o fim de ano e que teremos uma venda melhor, pois hoje os clientes estão com o estoque baixo, já liquidaram o que tinha parado e vão ter de comprar ao ter a venda na loja.

Com essa crise, quais são as expectativas para a Femur 2016?

Michel: Já estamos começando a conversar sobre a Femur. Vamos realizar, sim, pois é um momento em que realizamos negócios. Pode até ser que os investimentos sejam menores, mas, com certeza, vamos fazer de nossa Feira uma das melhores do ano e tentar superar a passada, como sempre foi uma tradição da FEMUR, cada uma superando a que passou. Sabemos que não vai ser fácil, mas temos de fazer o melhor possível.

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