Razões para RECOMEÇAR
Quando um contratempo é também uma nova chance

“Assim é a vida: um recomeçar contínuo quando tudo parece perdido”. Maria Sueli de Paiva Rodrigues levava uma rotina como a da maioria dos brasileiros: muito trabalho, má alimentação, vícios e pouco lazer. Manicure requisitada, fazia unha das 6h30min às 23h00min. Dormia por um período curto e parava para comer raramente. Até que seu próprio corpo parou. A máquina que parecia incansável de repente começou a apresentar sinais de fragilidade.

Há 10 anos Sueli desenvolveu um problema no útero, quando passou a ter hemorragia e os médicos identificaram a presença de um mioma, então decidiram retirar o órgão. A cirurgia foi bem sucedida, mas no dia seguinte, tomando café da manhã, a moça sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Ela foi levada as pressas para o hospital onde ficou internada por cerca de 30 dias.

A manicure teve todo o lado esquerdo do corpo comprometido, quando enfrentou momentos desafiadores. “No início dependia da cadeira de rodas e comecei a ficar depressiva. Meu filho, Makley, tinha apenas 10 anos de idade e ajudava a colocar fralda em mim. Eu chorava muito, tinha me divorciado há pouco tempo e na época estava namorando. Durante 4 meses meu namorado me acompanhou, cuidou de mim e dormiu comigo quando preciso, mas depois passou a me deixar de lado. No fundo eu sabia que estávamos juntos porque ele tinha dó da situação em que me encontrava. Criei coragem e resolvi terminar o relacionamento, aí veio a depressão” – relata.

A partir desse momento Sueli decidiu procurar auxílio de um profissional e recompor sua autoestima. Onde havia motivos para desanimar, ela viu uma oportunidade. “Meu ex tinha muito medo de que eu pudesse passar mal ou até mesmo morrer ao lado dele e isso acabou sendo um incentivo para mim. Fui até um psicólogo e falei ‘vou dar a volta por cima’, queria mostrar para ele que eu ainda ia ficar boa. E assim aconteceu” – diz.

Maria Sueli de Paiva Rodrigues 10 anos após o AVC.

Depois de alguns meses na cadeira de rodas, 3 anos de muleta e muita fisioterapia, a moça começou a andar sozinha, mesmo com parte do corpo não respondendo, ela se esforçava para se locomover. Dentro dessas mudanças, os velhos hábitos foram deixados para trás. “Hoje eu faço tudo ao contrário do que fazia. Não fumo, não bebo, não como fritura nem carne de porco. Vivo de dieta, ando muito e estou sempre tomando água. Até minha pressão estabilizou, haja vista que cuido de mim realmente, costumo dizer que eu quero ficar uma ‘velha nova’; saudável e bonita” – afirma.

Se “há males que vêm para o bem”, essa mulher de fibra é prova disso. “Hoje sou muito mais feliz. Falo com Deus que se tivesse adoecido antes, talvez eu seria alegre assim há mais tempo.  Tudo que ocorreu mudou a minha mente, eu era uma pessoa triste, não tinha amor próprio, era totalmente tímida. Hoje em dia sou alto astral, gosto de conversar. As vizinhas falam que antigamente não agradavam de mim porque eu era muito antipática,  agora sou simpática até demais” – brinca.

10 anos após o AVC não há nada que pare Sueli. Ela se casou novamente, voltou a fazer unhas e mesmo com as limitações, acorda com total disposição e sai para caminhar toda manhã. “Gosto de andar, adoro passear, visitar os amigos, viajo… Meu marido, Mário, trabalha a noite, e quando fomos casar logo, avisei que detesto que me prendam. Fui para Vitória-ES sozinha, minhas irmãs ficam doidas. De fato eu adoeci, só que passou, já estou boa, estou torta, mas estou normal” (Risos).

Depois de ter enfrentado com valentia todas as dificuldades impostas por essa enfermidade, Sueli passou a ter um novo olhar sobre a sua própria existência. “Aprendi a valorizarmais aminha vida, minhasaúde. Hoje eu tenho vontade. Aprendi que meus hábitos faziam mal e que não preciso de vícios para ser feliz. Esse tempo que eu tenho atualmente é para cuidar de mim, coisa que eu nunca fiz antes” – revela.

Sobre os sonhos e planos futuros, essa mulher radiante nos conta: “quero renovar minha carteira e dirigir muito, além de ser uma manicure cada vez melhor. Sonho em ter netos e vê-los crescer. Levo uma vida salutar e busco passar isso para todo mundo que não o faz. Eu sou a mais animada do grupo de exercícios, tento incentivar a galera. Não quero ficar aleijada com pernas e braços finos, pelo contrário, procuro evoluir estética e espiritualmente. Não sinto que tenho 53 anos de jeito nenhum, sinto que tenho uns 30 e poucos, 40 no máximo. Acho que nesses 10 anos eu só renovei”.

“Quero agradecer quem me indicou para participar da matéria, porque todo mundo que me viu e me vê fala que me admira. Há muitas pessoas deficientes abandonadas por aí. Desde que tudo isso aconteceu eu falei que parada eu não fico! Gosto de me sentir útil. Anseio ter bem-estar, tomo Ômega 3 direto, não quero ficar idosa com a memória defasada. Vou envelhecer em forma e ajudar a criar meus netinhos. Sei que em Deus posso tudo que almejo” – encerra.

E você pode Suely. Pode tudo que fizer por merecer, pode tudo que sonhar, pode tudo que acreditar. Você é um exemplo de força, de superação, de vontade de viver. Que você nunca mais perca o brilho nos olhos e o sorriso no rosto, pois essa pode ser a inspiração que muita gente precisa para recomeçar, assim como você o fez.

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