Reformas em segundo plano – Por Michel Pires

Michel Pires é Diretor da Modecor e Vice Presidente do Intersind. Foto: Servando Lopes

O governo Temer começou bem, fazendo o dever de casa, tentando equilibrar as contas públicas, fiscalizações sobre programas sociais, índice de confiança crescendo, bolsa de valores batendo recordes, Real se valorizando, força no congresso para reformas, mas parou, estagnou tudo, e qual foi o preço disso? O apoio para se fazer mudanças a fim de consertar o país custa caro. Esse amparo todo extraiu muito dinheiro dos nossos cofres, valores e repasses em emendas, subsídios, empréstimos fraudulentos, cargos e outros, quantia que sai do bolso do trabalhador e poderia ser investida em melhorias para a população como a construção de escolas, hospitais, infraestrutura de estradas, moradias e etc, além de investimentos em segurança, que é um dos sérios problemas do Brasil.

A tão polêmica reforma da previdência social deve ficar para o ano que vem, isso se acontecer. O governo quer votar em novembro, mas acho difícil conseguirem com todos esses escândalos ocorrendo, fica caro atingir o apoio necessário para aprovação, a pressão é cada dia maior e volta e meia surge alguém querendo mudar um texto para se proteger. Infelizmente os altos salários que impactam no déficit da previdência vão continuar, pois quem vota é exatamente os que têm aposentadorias milionárias por anos a fio, fazendo nossa previdência dar prejuízo mês a mês, logo, sobra para o trabalhador pagar a conta novamente.

Como se não bastasse, agora que a recuperação começou para alguns setores, estão dando um jeito de atrapalhar. Pelo mundo os Bancos Centrais estão estabilizados, países que enfrentavam grande recessão estão voltando a crescer, nada de notícias ruins do exterior para obstruir o mercado interno, aí surgem as informações brasileiras para dificultar tudo. As empresas não aguentam mais tanto tempo sem crescimento, sem lucro, o fôlego está acabando, as notícias de que a economia volta a crescer não se estendem a todos, alguns segmentos estão se reerguendo, como o agronegócio, que está ajudando a balança comercial e a elevação do PIB, mas a indústria de transformação não está se recuperando, as fábricas da nossa região sofrem há muito tempo com um desemprego cada dia maior.

As reformas estão paradas, reformas estas que poderiam deixar o Brasil um pouco mais competitivo em relação a outros países foram estagnadas. Agora a ordem é salvar quem está no comando; Deputados, Senadores, Governadores e Presidente. A preocupação é se manter no poder e, para isso, as pequenas mudanças que serão feitas vão transformar o nosso território em um local cujas empresas não terão competitividade com outras instaladas em países de terceiro mundo, quanto mais tentar chegar perto de instituições de primeiro mundo.

A esperança de uma mudança logo acabou, quem sabe daqui uns anos, quando aprendermos a votar e colocar para nos governar alguém que realmente se importe com os eleitores e não quem se importa apenas com si próprio e seus parentes. A reforma que precisamos tem de vir algum dia para nos deixar pelo menos perto de conseguir concorrer com outras empresas pelo mundo, seja na parte da Legislação Trabalhista, percentuais de impostos que pagamos ou muitos outros entraves que deixam nosso país obsoleto em relação a crescimento sustentável, só assim teremos um Brasil mais justo.

Cuidado ao pensar que as mudanças irão tirar os direitos dos trabalhadores e beneficiar apenas as empresas, pois estes benefícios serão repassados ao custo e, assim, teremos produtos com preços competitivos e parecidos com os que são praticados mundo afora, pois todos os encargos e obrigações que são repassadas a indústria, comemoradas pelos Sindicatos de Trabalhadores e outros, vão direto para os preços das mercadorias, levando o povo brasileiro a pagar a conta. Vamos sonhar com dias melhores e mais justos, mas sonhar com um povo com uma consciência de um Brasil melhor para todos e não apenas para si mesmo.

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