SAÚDE NA ESCOLA: O TDAH – Por Dr. José de Alencar Ribeiro Neto

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida, se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Ocorre em 3 a 5% das crianças e, em mais da metade dos casos, o transtorno acompanha o indivíduo na vida adulta.

O TDAH na infância em geral se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com as demais crianças, pais e professores.  São crianças com dificuldade de prestar atenção em atividades que exijam esforço mental prolongado (leitura) por isso não conseguem terminar o dever da escola ou gastam o dobro do tempo para fazê-lo, erram por descuido, perdem objetos com facilidade, são desorganizadas. Geralmente recebem apelidos como “avoadas”, “vivendo no mundo da lua”, “estabanadas” ou “ligadas por um motor”. Crianças e adolescentes com TDAH podem apresentar mais problemas de comportamento, como por exemplo, dificuldades com regras e limites.

Em adultos, ocorrem problemas de desatenção para coisas do cotidiano e do trabalho, bem como com a memória (são muito esquecidos). São inquietos (não toleram atividades monótonas ou rotineiras), são impulsivos (já respondem antes de terminada a pergunta e interrompem quando os outros estão falando). São pessoas que vivem trocando de interesses e planos e têm dificuldades de planejamento e de levar as coisas até o fim, o que gera conflitos nos relacionamentos.  Eles têm um risco mais elevado de problemas associados, tais como o uso de drogas e álcool, ansiedade e depressão.

Indivíduos com TDAH têm alterações na região frontal do cérebro, que é responsável pela inibição do comportamento (isto é, controlar ou inibir comportamentos inadequados), pela capacidade de prestar atenção, memória, autocontrole, organização e planejamento. As causas do TDAH são diversas, a principal delas é a herança genética, também filhos de gestantes que fizeram uso de substâncias como álcool ou drogas ingeridas na gravidez, sofrimento fetal, intoxicação por chumbo, entre outras.

Para o diagnóstico adequado, a informação do comportamento da criança em diversos ambientes (familiar e escolar) é fundamental. Algumas escalas são utilizadas e relatórios solicitados para auxiliar na avaliação. O diagnóstico correto e preciso do TDAH só pode ser feito através de uma longa anamnese (entrevista) realizada por um profissional médico especializado (psiquiatra, psiquiatra da infância e adolescência, ou neuropediatra). Muitas crianças recebem o diagnóstico de forma errônea por apresentarem outros transtornos de aprendizado, como a dislexia, discalculia ou mesmo pela defasagem no processo de aprendizado. Por isso uma avaliação especializada e criteriosa é fundamental.

O tratamento envolve vários aspectos que são complementares, como estimular o conhecimento mais detalhado do transtorno, uso de medicamentos (psicoestimulantes) que trazem resultados excelentes, orientação aos pais e à escola, psicoterapia (terapia cognitivo-comportamental, fonoaudiólogo (quando houver co-morbidade como a dislexia) e acompanhamento pedagógico individualizado para reforças as perdas e deficiências escolares.

Acredita-se que o gênio da física, Albert Einstein, tinha TDAH e dislexia. Uma de suas frases que ficaram eternizadas foi: “a mente que se abre a uma nova ideia, jamais voltará ao tamanho original”. O objetivo de se tratar uma criança com TDAH é deixá-la exercer todo seu potencial intelectual ou, como diria Einstein, “abrir suas mentes” para um mundo de possibilidades.

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