Síndrome do pânico: uma visão psicanalítica
Psicóloga Marcela Corbelli explica quando procurar ajuda

É possível dizer que somente quem já viveu uma crise de pânico sabe como é, dadas as dificuldades de descrever em palavras o grau de agonia e sofrimento, chegando a ser comparada a uma sensação de morte. O relato dessas crises tem se tornado cada vez mais frequente no dia a dia dos consultórios de psiquiatria e psicoterapia.

Os ataques de angústia ocorrem sem que haja uma causa aparente, sendo caracterizados por um intenso temor e desconforto, o qual gera palpitações ou ritmo cardíaco alterado, sudorese, tremores, sensação de falta de ar ou sufocamento, entre outros sintomas que incapacitam a vida da pessoa.

Marcela Corbelli é psicóloga clínica. Foto: Fotografe

Esse tipo de reação sugere que o indivíduo esta sob a ameaça de algo terrível do qual precisa fugir, embora não haja perigo concreto aparente. Por vezes ele fala do pânico como algo totalmente alheio a sua experiência, sua história, sem qualquer conexão com suas emoções ou com sua trajetória de vida.

Para a psicanálise, entretanto, existe um sofrimento psíquico que precisa ser reconhecido, sobretudo pelo próprio paciente. Diferentemente da psiquiatria, a psicanálise não trata os sintomas e sim as causas do problema. Cabe ao psicanalista a tarefa de levar a pessoa a se envolver no seu sofrimento, a desenvolver interesse e curiosidade com o que acontece a si próprio para que possa encontrar significado nos seus sintomas.

É possível, que ao longo do tempo, o indivíduo encontre outras formas de se expressar e de lidar com o seu sofrimento. Através da ligação estabelecida entre paciente e psicanalista, espera-se que o mesmo possa estabelecer vínculos mais consistentes consigo e com a sua própria vida.

A partir do autoconhecimento, ele pode livrar-se das crenças, das inibições e das compulsões que a síndrome impõe. Dessa forma, a terapeuta psicanalista oferece um tratamento cujo tempo é singular, afinal, coletar e elaborar os sinais do inconsciente demanda paciência, já que o processo pode ser angustiante.

Uma pessoa que tenha manifestado qualquer sintoma típico da crise de pânico deve procurar ajuda profissional o quanto antes. As crises são difíceis de serem controladas por conta própria e podem piorar se não houver acompanhamento adequado. Em alguns casos é possível tratar sem o uso de medicamentos, mas na maioria dos casos a associação de tratamentos com psiquiatra e psicólogo é o mais indicado e com melhor resultado.

 

“Os primeiros sintomas da Síndrome apareceram quando tentei fazer a 1ª fase do exame da OAB, senti como se fosse desmaiar, sai da sala, uma enfermeira me examinou e consegui finalizar a prova acreditando que fosse apenas uma queda de pressão”. Fui aprovada, voltei para fazer a 2ª fase e nos primeiros cinco minutos da avaliação pedi desesperadamente para sair da sala com uma sensação de desmaio, falta de ar, coração acelerado e achando que ia morrer. Novamente a enfermeira me examinou e verificou que minha pressão estava normal. Sai do local da prova e já não sentia mais nada, estava muito triste e sem entender o que havia acontecido.

Tive a chance da Repescagem quando decidi procurar a Psicóloga Marcela Corbelli. Comecei a fazer acompanhamento, mas achava que não teria tempo para isso, pois faltava apenas um mês e meio para a prova e eu precisava de resultado rápido. Procurei um psiquiatra, aí veio o diagnóstico da Síndrome do Pânico. Fiz o tratamento, pedi atendimento especial pra OAB (fiz a avaliação em uma sala individual), consegui terminar a prova e passar.

Achando que não precisava mais, interrompi o procedimento, parei com a medicação e com os acompanhamentos. Conclusão: as crises me atacaram mais fortes e com mais frequência. A partir daí voltei ao tratamento, faço uso diário de medicação, vou ao psiquiatra e ao psicólogo. Depois que iniciei o processo de tratamento corretamente, consigo fazer tudo que não fazia antes. Estou desenvolvendo minha carreira como advogada e atualmente divulgo meu trabalho e minhas experiências no Instagram @missaoadvogada. O que posso dizer a respeito é que, no começo, entender a Síndrome do Pânico é uma tarefa muito difícil e sozinha não é possível lidar com o problema, mas, com o auxílio de bons profissionais, as atividades do dia-a-dia voltam a ser realizadas como de praxe. Há oito meses faço o tratamento sem interrupção e posso dizer que minha vida e minha rotina seguem normais e sem crises”.

 

(Elaine Cristina de Oliveira, paciente em tratamento contínuo há oito meses).

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