Villa Ivone – Por Anderson Moreira

O poema Memória, escrito pelo inesquecível Carlos Drummond de Andrade, tem um desfecho mais ou menos assim: “As coisas findas / muito mais que lindas / essas ficarão”. Lembrei-me desses versos quando repercutiu na cidade o incêndio num dos imóveis mais lindos de Ubá, localizado na Avenida Raul Soares. A casa conhecida como Villa Ivone, da noite para o dia, caiu na boca do povo. Infelizmente foi preciso que o fogo golpeasse aquele

Anderson Moreira é Professor de história nas redes Municipal e Estadual de ensino. É especialista em história do seculo XVIII.

Anderson Moreira é Professor de história nas redes Municipal e Estadual de ensino. É especialista em história do seculo XVIII. Foto: Arquivo Pessoal.

patrimônio para ele ganhar notoriedade. Acredita-se que os danos não chegaram a danificar a estrutura das paredes, mas as chamas queimaram tudo que havia de madeira na casa: piso, forro, engradamento do telhado, janelas e portas. Por outro lado os danos imateriais são irreversíveis, pois parte da história de Ubá, contada pelos móveis e demais objetos que ali existiam tornou-se cinzas, que foram levadas pelo vento desolador daquele dia 07 de novembro de 2014. Afora as hipóteses de incêndio criminoso, que estão sendo atualmente investigadas pelas autoridades competentes, o Conselho do Patrimônio Cultural de Ubá se empenha, há muito tempo, para resguardar esse bem, considerado um dos ícones da arquitetura da cidade. A construção da casa conhecida como Villa Ivone remonta, aproximadamente, ao ano de 1929. Seu ilustre idealizador e primeiro morador foi o ex-prefeito de Ubá, médico bastante conhecido na época, Jacinto Soares de Souza Lima. A residência é conhecida na cidade pela beleza e imponência, além daquele charmoso ar de mistério, que alimenta a curiosidade dos ubaenses, inclusive a minha: quem foi Ivone? Ah! Poeta, em poucas palavras o senhor conseguiu ler a alma humana com imensa precisão. É preciso perder para se lembrar… Além das pessoas, isso também acontece com o patrimônio cultural, algo que fica cada vez menos percebido na correria do dia a dia. Eu e muitos ubaenses torcemos para que o susto sirva de aprendizado, afinal, em Ubá, há outros tantos imóveis que também integram nossa identidade cultural, cada um com seu lugarzinho em nossa memória coletiva, dando rosto a esta Cidade Carinho.

ENTRE NA REDE FATO!