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A “gripezinha” que adiou os Jogos Olímpicos

Publicado por: , em 03/04/2020 - Categoria: ESPORTES

Tempo de leitura: 3 minutos

É certo que apenas um assunto dominou o noticiário do Brasil e do mundo nos últimos tempos – o Novo Coronavírus, doença que se espalhou rapidamente pelos quatro cantos do planeta causando medo e mudando a rotina das pessoas. Mas, Guilherme, essa coluna não é esportiva? Por que você está falando sobre a covid-19?

Ocorre que o universo do esporte não está imune a tudo isso e também sofreu as consequências. Campeonatos de várias modalidades foram interrompidos, eventos cancelados e, no dia 24 de março, finalmente o Comitê Olímpico Internacional (COI) oficializou o adiamento da Olimpíada e da Paraolimpíada de Tóquio 2020. É a primeira vez que os Jogos Olímpicos da Era Moderna são protelados. As outras três vezes em que eles não aconteceram na data prevista, foi em Berlim-1916, Tóquio-1940 e Londres-1944, devido às Guerras Mundiais.

É importante lembrar que tal decisão foi tomada em meio a um ambiente de extrema pressão. O presidente do COI, o alemão Thomas Bach, se recusou a cogitar a possibilidade de cancelamento ou adiamento das competições, mas teve que voltar atrás porque a atitude desagradou a comunidade esportiva.

Na medida em que a pandemia se alastrava mundo afora e que diversos países sofriam o impacto, atletas e Comitês Olímpicos Nacionais começaram a cobrar que o evento fosse protelado. Até mesmo membros do próprio Comitê Internacional passaram a questionar o seu presidente que ainda insistia em manter a data. A pressão funcionou, e depois que até o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, concordou em adiar os jogos, Bach não tinha outra medida a anunciar.

Imagem: REUTERS/Denis Balibouse

Parece simples e racional que o maior acontecimento esportivo do planeta fosse remanejado, afinal, a recomendação da Organização Mundial de Saúde é de evitar aglomerações e a previsão era de que 11 mil atletas, de pelo menos 204 países, disputassem os jogos, além de organizadores e toda a imprensa mundial. Se não bastasse esse contingente de pessoas, o COI e o Comitê Organizador do Japão tinham por estimativa que as competições recebessem até 5 milhões de espectadores oriundos das mais variadas localidades.

“O presidente do COI, o alemão Thomas Bach, se recusou a cogitar a possibilidade de cancelamento ou adiamento das competições, mas teve que voltar atrás porque a atitude desagradou a comunidade esportiva”

Porém, a resistência do COI tinha um motivo evidente e, infelizmente, valorizado acima de tudo pela grande maioria dos dirigentes esportivos: o dinheiro. Antes do adiamento, os Jogos de Tóquio eram apontados como os mais lucrativos da história. Somente em contratos com patrocinadores, o Japão arrecadou nada mais nada menos que US$ 3,1 bilhões (R$ 15,5 bilhões). Com a venda de ingressos, a previsão era de arrecadar US$ 800 milhões (R$ 4 bilhões). O cancelamento significaria um prejuízo de US$ 66 bilhões (R$ 330 bilhões), que equivalem a 1,4% do PIB japonês. E é exatamente esse o motivo pelo qual o Comitê Olímpico Internacional e as autoridades japonesas demoraram a tomar a acertada decisão. Antes tarde do que nunca!

Já está claro que não é “só uma gripezinha”, como alguns insistem em dizer. O dinheiro é importante? Sem dúvidas. Adiar vai prejudicar o “bolso” dos organizadores e o próprio esporte? Claro que sim. Só que o esporte é, antes de tudo, saúde! E nada o prejudica mais do que a morte de quem quer que seja. Estamos a caminho de saber como funciona esse distópico mundo sem a prática esportiva. No entanto, já fizemos uma importante descoberta: a bola pode parar. O futebol vai continuar sendo a coisa mais importante entre as menos importantes, mas só depois que cuidarmos do que realmente importa.