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Arquitetura Emocional

Publicado por: , em 17/05/2020 - Categoria: ARQUITETURA E DESIGN

Tempo de leitura: 3 minutos

Em tempos de pandemia, mais do que nunca, nossa casa se tornou ainda mais uma referência de porto seguro. Com o aumento do tempo de permanência em nossos lares, sendo cada vez mais solicitado em prol da nossa própria proteção e do próximo, ficar em casa, sempre que possível, virou ainda mais sinônimo de amor e respeito ao mundo neste momento. Muitas das funções que realizávamos na rua, se voltaram para o nosso lar, como o home office, por exemplo.

Vivemos um período onde nosso emocional anda a flor da pele e buscamos equilíbrio para passarmos por esse período. Sabemos que os ambientes nos transmitem sensações e emoções e neste contexto a arquitetura emocional se evidencia.

A perspectiva de que o ambiente afeta as emoções humana é uma realidade já defendida pelo escritor francês Noël Arnaud, autor da frase “eu sou o espaço onde estou”.

A mistura de texturas e cores, a disposição de cada objeto e dos móveis e ainda mais o valor sentimental que ele nos passa, nos faz sentir mais ou menos atraídos por um ambiente.

Ambientes são muito mais que espaços onde moramos ou trabalhamos, são muito mais do que as peças das mobílias, eles nos “falam” realmente sobre nossa vida interior e sobre como vivemos como seres humanos.

Buscamos em cada espaço onde estamos a sensação de felicidade, mas é óbvio que felicidade é muito pessoal, pois ela envolverá suas emoções e sentidos.

Por exemplo, qual o sentimento que você tem quando está na sua casa? Qual emoção você busca, qual perfume te traz a sensação de leveza e frescor? Qual cor te traz aquela sensação gostosa e qual te deixa triste? Ambientes com lembranças de viagens te torna feliz e da aquela sensação de querer voltar? E a natureza como você fica imaginando as plantas? Qual seu ambiente ideal e qual cheiro te traz saudades da infância ou de um local específico?

Uma das tendências dos ambientes em anos seguidos é o “urbanjungle”, por exemplo, que tem como característica principal resgatar o nosso contato com a natureza. Uma busca do ser humano em encontrar dentro dos ambientes sentimentos de paz, refúgio, tranquilidade.

Isso explica a sensação de frieza e falta de emoção que muitas vezes temos ao entrar em ambientes tirados de páginas de revista ou totalmente decorados por um profissional contratado. “Copiar um projeto pronto resulta em uma aceitação social maior, porém, não nos favorece, porque nossa personalidade não está ali impressa. É apenas o clichê de uma situação confortável ”, reforça Leandro Karnal, historiador e professor da Unicamp.

Muito provavelmente o que gera bem-estar é uma mistura que “conversa” com todos os seus sentidos e faz com que não seja apenas uma noção visível, mas sentida, de lar e felicidade.

Daí a importância do arquiteto e design captar a essência e necessidade dos clientes. Para tanto investir na personalização dos projetos garantem espaços com a maior probabilidade de trazer felicidade e satisfação.

Para finalizar, ao meu ver, nós arquitetos ou Design de Interiores temos como principal objetivo, melhorar a qualidade de vida das pessoas. É preciso pensar na experiência de dentro dos espaços como um derivado de estímulos aos sentidos (visão, tato, olfato, audição).

Gabriele Barros

Gabriele Barros é Arquiteta e Urbanista pela Universidade Federal de Viçosa (2009); Possui Mestrado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Viçosa (2012); Atualmente atende em seu escritório Gabriele Barros Arquitetura & Interiores