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#AVidaÉumTheCircle

Será que as pessoas são na vida real o que dizem ser na Internet?

Publicado por: , em 01/04/2020 - Categoria: COLUNAS

Tempo de leitura: 4 minutos

The Circle | Reality show da Netflix

Hello, Conectados! Espero que esteja tudo bem com vocês! Estamos vivendo um momento em que muitas coisas estão acontecendo ao mesmo tempo e, todas elas, permeando o espaço da Internet. Então, para me ajudar a decidir qual seria o tema da nossa coluna, contei com a ajuda de uma galera bem legal lá do meu Instagram (@obotecofeminino). Dei aos seguidores a missão de escolher entre três possíveis assuntos e, o mais votado entre eles é uma questão que faz parte da grande maioria das pessoas nas redes sociais: “Será que as pessoas são na vida real o que dizem ser na Internet?”.  Então, como os pedidos feitos no balcão do Boteco Feminino são uma ordem, bora lá entrar nesse chat!

Esse tema foi inspirado em um reality show, lançado em março deste ano e exibido pela Netflix, em 12 episódios, apresentado por Giovanna Ewbank: o The Circle Brasil. Além da versão brasileira, há também uma versão americana e uma francesa, que deverá ir ao ar em abril. O programa consiste no confinamento de nove participantes em um prédio – lindíssimo por sinal – situado em Manchester, no Reino Unido. Cada participante fica alojado em um apartamento decorado bem ao seu estilo, o que nos ajuda a entender a personalidade real de cada um. Funciona como se esse prédio fosse uma rede social e os seus moradores os seus usuários, cada um com seu perfil.

Já adianto que o The Circle não chega a ser um dos programas mais divertidos que você já assistiu, mas é um verdadeiro experimento sobre o comportamento humano, principalmente quando o assunto é status, causar uma boa impressão e ser aceito pelos demais. Acontece que, esses participantes não têm nenhum tipo de contato físico uns com os outros; a única interação que há entre eles se dá por meio de telas, que só funcionam por comando de voz. Absolutamente tudo é mediado pelo sistema The Circle: as festas, os games, as tretas, as avaliações, os bloqueios e até os crushs.

Outro ponto que chama a atenção, e que me motivou a abordar esse tema, é o fato de que os confinados podem se passar por qualquer personagem – inclusive por eles mesmos – para conquistar a simpatia e a confiança do grupo. E, no final, além de ser escolhido como o mais popular, o vencedor também leva para casa a quantia de R$ 300 mil.

Então, em um contexto, aonde eles não fazem a menor ideia de quem ou como sejam seus oponentes, não sabe quem está mentindo ou falando a verdade sobre si mesmo, os participantes fazem uso das mais variadas estratégias para se organizarem em grupos, criar alianças com pessoas com quem acreditam ter mais afinidade e ensaiam discursos que possam agradar a maioria. Resumindo, o The Circle “é um jogo de impressões e influência”.

O mais interessante é observar no jogo como alguns participantes são muito mais incríveis em suas versões originais do que conseguem ser em seus perfis (sejam eles verdadeiros ou fakes). Muitos chegam ao ponto de ser completamente desinteressantes, perdendo a oportunidade de ir mais longe no jogo do que se tivessem adotado a verdade do que são.

Mas enfim, continuando… Desde que se tem notícias da existência dos seres humanos na Terra, os homens buscam se organizar em comunidades. E essas comunidades, por sua vez, sempre foram guiadas por um líder (que hoje a gente chama carinhosamente de influenciador digital). Esse líder era geralmente escolhido por ser o mais forte, o melhor caçador, o mais sábio, o mais convincente, o mais bonito, etc. Quem estava nessa disputa pelo poder, sempre utilizava dos seus melhores atributos para se promover (a não ser quando essa liderança fosse disputada na base da briga, literalmente); as fraquezas jamais eram reveladas. Aí eu te pergunto: isso não te soa atual, nem um pouquinho?

O mundo pode até ter evoluído, mas a essência do jogo não mudou muito, não. Assim como no The Circle, no mundo “on-line real”, muitas pessoas são capazes de (praticamente) tudo, inclusive ser o que não são, para alcançar esse nível de influência e ser querido e admirado por todos. Por favor, não entendam isso como uma crítica, mas se a gente parar para analisar bem, ninguém é 100% o que posta nas redes sociais, e talvez isso nem seja de tudo tão errado assim. Repara só, estamos buscando sempre expor o nosso melhor, nossas melhores viagens, as melhores festas, as melhores roupas. E se for para postar algum perrengue, que seja um perrengue chique.

Fazemos isso porque temos em mente que ninguém vai se interessar por nossos perfis se não formos descolados; se não formos autênticos, ou melhor, se não parecermos autênticos; se não formos legais o tempo todo, mesmo que por trás das telas não estejamos tão bem assim. Essa é a regra do jogo, seja no The Circle, seja na vida. Por mais que a gente tente passar o máximo de verdade sobre quem somos, no final a gente sempre acaba maquiando uma coisa aqui ou outra ali.

Eu não queria contar para vocês como o The Circle Brasil termina, pois gostaria, de verdade, que vocês pudessem parar para assistir e fazer as suas próprias avaliações. Mas, quem quiser saber ou não tiver como assistir, me chama no direct que eu conto tudo (risos). O que eu quero deixar de mensagem para vocês é que tudo bem não sermos 100% na vida real o que parecemos ser na Internet, mas temos que ter em mente que não precisamos abandonar quem somos, a nossa essência, e criar um personagem só para tentar agradar pessoas que não fazem a menor ideia da nossa história. Por mais que estejamos do lado de perfis fakes acreditando que eles são reais, vai por mim, no final só sai ganhando quem é de verdade!

Rafaela Namorato

Podem chamar de Lela, mesmo! Jornalista por formação, profissional de Marketing Digita por opção. Tagarela e apaixonada pelas palavras. Viciada em Internet e redes sociais. Amante do universo cervejeiro, desse 2015 é a feliz dona do Boteco Feminino (@obotecofeminino), o espaço mais charmoso da Internet.