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Inclusão no contexto da escola regular

Publicado por: , em 02/07/2020 - Categoria: COLUNAS

Tempo de leitura: 3 minutos

A sociedade contemporânea assume para si cada vez mais o discurso das minorias e busca combater a discriminação em todos os níveis. Porém, está claro que na área da educação inclusiva nosso país está engatinhando. As escolas superiores de licenciatura ou pedagogia não preparam os futuros educadores para o contexto real de inclusão. As disciplinas de educação especial ou de inclusão escolar, entre outras inúmeras nomenclaturas para o mesmo tema, são falhas quanto ao didático pedagógico e quanto a conscientização destes profissionais.

 Não raro, nos deparamos com situações de rejeição por parte de professores e/ou instituições quando estão diante de uma criança como, por exemplo, autismo. Reflexo do despreparo dos mesmos para lidar com este novo contexto, além de evidenciar uma prática discriminatória, apesar do discurso inclusivo.

Realmente, os professores brasileiros não estão preparados para a inclusão, mas assumir este discurso é, no mínimo, comodista. Dizer “eu ensino tudo e o problema é do aluno”, é negá-lo o direito a aprender. Nós, profissionais da área de educação, podemos não saber lidar com estas crianças ou adolescentes, mas jamais devemos deixar de buscar aprender.

Ou, simplesmente adotar a prática: “eu ensinei a matéria, ele não aprendeu porque não quis”;  “nós temos um aluno com Síndrome de Down, ele fica ali sentado com as crianças, mas não dá conta de acompanhar a sala, não interage, você sabe né, é difícil, não estamos preparados…”.

A pergunta que me faço hoje é porque as pessoas ainda se recusam a, pelo menos tentar, se recusam a pelo menos amar estas pessoas? Alguns, por não saber o que é a verdadeira inclusão, acreditam que aceitar ‘esse tipo’de pessoa ameaça a qualidade da instituição.

Então, sem medo de errar, afirmo: uma boa escola ou bom professor não é aquele que ensina somente ao aluno dito ‘normal’, sem problemas de aprendizagem, sem deficiência seja intelectual, física, emocional ou social. Afinal, amar o bonito é fácil. Ensinar ao aluno que tem acompanhamento da família, que faz todas as atividades, e que aparentemente não possui nenhum transtorno de aprendizagem ou de comportamento é fácil. O desafio é ensinar e mediar a interação social de uma criança com deficiência auditiva ou com alta habilidade. Para isso, você não deve ter uma turma de nível elevado, e sim, o educador que deve elevar o nível de sua prática pedagógica, estudando, buscando novos instrumentos de trabalho, errando e acertando sempre com amor. Enfim, com muito trabalho.

Assim, como diz o educador Geraldo de Almeida Peçanha em seu livro Minha escola recebeu alunos para a inclusão. Que faço agora?:

“…nem só a boa vontade fará com que os professores tenham trabalhos bons no quesito competência pedagógica. No entanto, ficar por detrás desse escudo e não se colocar disponível para a aprendizagem parece-me também uma escolha ruim. A educação especial precisa de um misto de coragem e vontade, traduzida em disponibilidade para o novo”. (PEÇANHA, 2011, p. 27)

Uma escola inclusiva é aquela que aceita e acolhe alunos com deficiências físicas e/ou intelectuais, com altas habilidades, com dificuldades de interação social ou qualquer pessoa que sofra discriminação, seja de gênero, raça, cor e social. Vai além do simples ato de matricular esta pessoa em uma escola regular, inclusão é permitir e facilitar a interação entre os sujeitos, buscar instrumentos diferenciados que oportunizem o aprendizado significativo.

Camila Helena Sá de Oliveira

Pedagoga pela UFV; Pós-Graduada em Ciências Sociais pela UFJF; Trabalha como supervisora educacional no Estado; Diretora Pedagógica do Colégio Pilar.