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Neuroarquitetura: a ciência estimula o bem-estar

Publicado por: , em 04/02/2021 - Categoria: COLUNAS

Tempo de leitura: 3 minutos

Você já reparou como o ambiente em que você está influencia suas emoções e comportamento? Você já se sentiu bem entrando em um local ou se sentiu mal? Pois é! Os ambientes podem te trazer conforto ou desconforto.

Você pode até não notar a princípio, mas o seu cérebro, a partir do momento em que entra em um ambiente, produz diferentes substâncias, e isso pode alterar o seu humor e comportamento a curto ou longo prazo, porque 5% dos efeitos são notáveis; os outros 95% ocorrem apenas no cérebro, de maneira imperceptível.

Apesar de muito nova, a neuroarquitetura ganha mais força, uma vez que nós estamos passando a maior parte de nossas vidas dentro dos ambientes construídos.

A relação do homem com o meio é fundamental para o seu desenvolvimento, então a maneira como os ambientes são organizados e construídos é muito importante no desenvolvimento cognitivo e como o ser humano interage com o ambiente. Questões ambientais, como iluminação, temperatura, acústica, ventilação, cores, texturas, escalas e proporções, são elementos indispensáveis na configuração de um projeto de qualidade e são grandes geradoras de conforto e saúde.

Este estudo é ainda mais importante, pois varia de acordo com o ambiente a ser projetado, ou seja, para um projeto de uma residência ser de qualidade, a atmosfera tem de ser diferente de uma escola ou de uma loja, os estímulos sensoriais desejados são diferentes; enquanto que, na sua casa, você deseja promover o relaxamento e a socialização, o ambiente escolar almeja aprendizado, criatividade e produtividade.

É mais fácil ilustrar esses efeitos pegando um exemplo bem comum no dia-a-dia da maioria das pessoas: o escritório. Os populares cubículos corporativos, as grandes salas brancas com iluminação fria artificial, sem janelas e refrigerado por ar condicionado são o exemplo mais utilizado quando se fala de neuroarquitetura. Esse tipo de ambiente proporciona pouco ou nenhum estímulo ao cérebro. São todos iguais, não há presença de ar ou iluminação natural. Vivemos numa época que mais de 50% da população mora em cidades e permanecem 87% do tempo sob iluminação artificial. É afirmado que sofremos de altas taxas de ansiedade, neurose, estresse e, desde muito cedo, doenças mentais, em destaque a depressão e esquizofrenia.

A iluminação na natureza varia gradualmente durante o dia. Na parte da manhã, é mais azulada; pela tarde, quando vai anoitecendo, a luz se torna quente, dourada, que promove o estímulo na produção de melatonina, mais conhecida como hormônio do sono. Em outras palavras, é cada vez mais comum a ocorrência de pessoas que não conseguem dormir e, muitas vezes a causa, deste problema é que elas passam o dia todo num ambiente com apenas a luz azulada, comum nos escritórios.

Não só a iluminação. Foi confirmado pela neurociência que a deprivação de sentidos é tão desgastante quanto a falta de estímulos aos músculos do corpo, que, sem estímulo, atrofiam. Acontece o mesmo com o cérebro. Para evitar que isto aconteça, o cérebro chega até a criar alucinações para se auto estimular. Este efeito ruim explicado pela neuroarquitetura. Ou seja, um projeto que produz estes efeitos NÃO é um projeto de qualidade.
Uma das oportunidades do arquiteto é a de mudar a vida das pessoas. Fazer a diferença é um dos efeitos colaterais da profissão. Ao mesmo tempo, é uma grande responsabilidade porque o que criamos permanece por muito tempo. Com um projeto bom, podemos induzir estímulos positivos para cada ambiente. Por exemplo: escolas que induzem o aprendizado, hospitais que estimulam a recuperação dos pacientes e ambientes corporativos onde os trabalhadores se sentem mais motivados, focados e criativos. Todos estes estímulos aumentam a produtividade e melhoram a função, sendo expressamente desejados e procurados. Assim vejo a importância de se contratar um Arquiteto e Urbanista para conceber espaços capazes de criar bem estar, seja para ambientes residenciais, comerciais ou públicos.

Projeto autoral em que foram aplicados estudos da Neuroarquitetura e da psicologia ambiental.

 

Escritório do Red Bull, no México com área para reunião informal.

 

 

Leticia Abrahão

Arquiteta e Urbanista, bacharel pela Uniacademia-JF. Leonina, mineira, 24 anos. Durante a Faculdade me apaixonei pelo curso e pelo conforto ambiental (Acústico, Térmico e Lumínico). Atualmente acredito que uma boa arquitetura é feita do convívio harmônico entre o homem e a natureza, sendo assim, resolvi me especializar em arquitetura Bioclimática na PUC MINAS.  Atuo no mercado de trabalho como autônoma e acredito ser uma das missões dos arquitetos traduzir os anseios de uma geração sem prejudicar as gerações futuras. Busco em meus projetos pensar que a humanidade e a natureza coexistem nesse planeta. Com projetos que vão da simplicidade a sofisticação, busco conquistar a satisfação dos meus clientes.