O “vilão silencioso” chamado Glaucoma
A oftalmologista Dr.ª Isabela Costa explica como identificar a doença e quais os principais recursos para tratamento

Desde o período da graduação, especializar-se em oftalmologia já era um sonho da então estudante, Isabela Dias da Costa. Após formar-se em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde, a profissional logo se empenhou em ingressar na tão sonhada residência, quando foi aprovada na (faculdade x). Frente a sua destreza e dedicação, não demorou para que as portas continuam a se abrir. Aos 30 anos, a jovem Dr.ª Isabela Costa é especialista em glaucoma e catarata na Santa Casa de Belo Horizonte e explica os sintomas e tratamento da doença considerada a maior causa de cegueira irreversível do mundo: o glaucoma.

Drª Isabela Costa

Quais são as principais causas do glaucoma?     
O principal fator de risco é o aumento da pressão intraocular (PIO). Existem ainda, outros fatores como a idade acima de 40 anos, escavação do nervo óptico aumentada (alteração observada no exame de fundo de olho), diabetes mellitus, etnia (negra para o glaucoma de ângulo aberto e amarela para o de ângulo fechado), histórico familiar e ametropia (miopia para o de ângulo aberto e hipermetropia para o de fechamento angular).      

Segundo informações de matéria publicada pela revista Abril, o glaucoma atinge cerca de um milhão de pessoas no Brasil. A que se deve a incidência tão alta da doença? 

Existem diversos fatores que levam à aquisição da doença, como citado anteriormente. Um deles pode ser explicado por uma alteração anatômica e citológica que, com o passar dos anos, ocorre na região do ângulo da câmara anterior (na anatomia do olho), o que impede que o humor aquoso (líquido existente dentro do olho) saia normalmente, fazendo com que haja aumento da PIO.

Existem vários tipos de glaucoma, certo? Qual a diferença entre eles? 

O glaucoma pode ser classificado da seguinte forma: glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA), glaucoma de pressão normal (GPN), glaucoma primário de ângulo fechado, glaucoma congênito e glaucoma secundário, de acordo com as seguintes diferenças:

O GPAA, forma mais comum de glaucoma, é diagnosticado por PIO superior a 21 mmHg, associado a dano no nervo óptico ou a defeito no campo visual compatível com glaucoma e ausência de anormalidades na câmara anterior e de anormalidades sistêmicas ou oculares que possam aumentar a PIO;

O GPN é a forma em que há dano no nervo óptico ou no campo visual na ausência da PIO elevada e de anormalidades oculares ou sistêmicas que possam aumentar a PIO;

O glaucoma primário de ângulo fechado, segunda forma mais comum de glaucoma, associa-se a dano no nervo óptico ou a repercussão no campo visual secundários ao fechamento angular primário;

O glaucoma congênito é a forma em que ocorre obstrução da drenagem do humor aquoso causada por uma anormalidade do desenvolvimento ocular;

O glaucoma secundário é a forma em que há aumento da PIO e dano no nervo óptico ou no campo visual secundários a doenças oculares predisponentes, a trauma ou ao uso de medicamentos.       

Alguns especialistas apontam o glaucoma como um “vilão silencioso”. Quais são os sintomas da doença?      
Este é um ponto importante a ser discutido. A doença em geral é assintomática, os sintomas costumam aparecer quando o quadro já se encontra em uma fase muito avançada. Sabemos que a doença progride da periferia do campo de visão para o centro, portanto, o paciente não nota a perda de visão até vivenciar a “visão tubular”, quando há grande perda do campo visual (perda irreversível). Se a doença não for tratada, pode levar à cegueira. Por isso o exame oftalmológico anual, preventivo, é fundamental para detecção e tratamento precoce.         

A doença pode ser identificada durante uma consulta de rotina? 

Sim. Na consulta oftalmológica de rotina realizamos o exame do fundo de olho (fundoscopia), onde avaliamos a retina e o nervo óptico. É através desta avaliação minuciosa e da medida da pressão intraocular (tonometria), que, se alterados, iniciamos a propedêutica específica para pesquisa do glaucoma. A consulta de rotina é fator chave para a prevenção.

Tendo em vista que o glaucoma é considerado a maior causa de cegueira irreversível do mundo, trata-se de uma doença sem cura? 

Sim. O glaucoma pode ter sua evolução controlada através do tratamento e acompanhamento, mas não existe cura.

Quais são os recursos para tratamento atualmente?     
Em geral o tratamento é realizado por meio de medicações tópicas (colírios) ou sistêmicas, e caso não haja resposta satisfatória, laser ou cirurgia. A intenção é manter o controle da PIO e a manutenção da qualidade de vida do paciente, que esta intimamente ligada à preservação da função visual.

Em quais casos a cirurgia é indicada?  A cirurgia está indicada basicamente nos casos em que houve falha na terapia conservadora (com colírios) em atingir o controle adequado da PIO. Também em outros casos como glaucoma congênito, evitar polimedicação excessiva, deterioração progressiva, apesar de aparente controle da PIO (incluindo má adesão ao tratamento médico), terapia primária (doença avançada que necessite de pressão-alvo muito baixa pode obter um resultado a longo prazo superior com cirurgia precoce, particularmente em paciente mais jovens). Preferência do paciente (ocasionalmente, os pacientes expressam um forte desejo de se libertarem do tratamento médico crônico).

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