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Pandemia e o LUTO

Publicado por: , em 29/06/2020 - Categoria: COLUNAS

Tempo de leitura: 2 minutos

Estamos vivenciando desde o início deste ano uma pandemia de COVID-19 (doença causada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2), o que alterou a vida de todos. As pessoas lidam com “lutos” diários relacionados a diversas perdas: do emprego, do contato com pessoas queridas, da liberdade de ir e vir, do planejamento feito. O medo da doença e o medo do colapso no sistema de saúde assombram a maioria dos indivíduos. Os noticiários nos lembram a todo momento quantas pessoas estão morrendo no Brasil e no mundo.

E como ficam tantas famílias e amigos que estão encarando o falecimento de um (ou mais) entes queridos, seja por COVID ou por outras circunstâncias?

O LUTO é o processo normal e necessário para a despedida e a adaptação perante o óbito de alguém próximo. A atual situação do mundo tem modificado rituais, obrigando familiares a se depararem com enterros apressados ou em valas comuns, sem velórios ou com velórios muito restritos em tempo e número de pessoas, caixões fechados… Tudo isso pode prejudicar a elaboração do luto, interrompendo uma dinâmica cultural e até aumentando o risco de adoecimento.

E como diferenciar um adoecimento da evolução natural do Luto?

Algumas pessoas podem apresentar depressão associada ao quadro, ou um luto persistente, com prejuízo nas atividades diárias, no relacionamento social, no trabalho…

Um tempo longo de luto (mais de 1 ano) ou sintomas que prejudicam a vida como um todo são motivos de preocupação. Pode haver grande evitação de pessoas, lugares ou situações ligadas ao falecido, sensação de culpa ou autoacusação, dificuldade em aceitar a morte e até incredulidade quanto à perda, podendo estar associada à raiva e dificuldade com boas memórias.

Também é possível sentir vontade de morrer para unir-se ao ente querido, acreditar que a vida não faz sentido sem ele, que uma parte de si morreu junto, gerando conflito sobre o próprio papel na vida, com perda de interesses ou planejamento de futuro, solidão e desconfiança de outras pessoas.

Sintomas persistentes e desproporcionais de tristeza intensa, falta de apetite, fadiga, insônia, baixa autoestima, ideias suicidas, desesperança na melhora, lentificação dos movimentos, além daqueles citados anteriormente, devem ser avaliados pelo Psiquiatra, a fim de fazer diagnósticos diferenciais, tratar quando necessário, evitar piora e ajudar a resignificar o luto.

Dr.ª Amanda Teixeira Tolomelli

Residência Médica em Psiquiatria pela UFJF; Pós graduação em Terapia Cognitivo-comportamental pela faculdade Redentor; Graduação em Medicina pela UFJF.