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PRECISAMOS FALAR SOBRE SUICÍDIO

Publicado por: , em 14/09/2021 - Categoria: COLUNAS

Tempo de leitura: 4 minutos

O Setembro Amarelo é uma campanha criada com o intuito de informar as pessoas sobre o suicídio, o ato de tirar a própria vida intencionalmente, e também sobre os comportamentos como pensamentos suicidas, planos e tentativas de morte e outros transtornos relacionados ao problema.

Dados disponibilizados pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) apontam que a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio, a cada 3 segundos uma pessoa atenta contra a própria vida, o Brasil é o 8º país em número absoluto de suicídios e entre os jovens na faixa etária de 15 e 34 anos o suicídio é a segunda causa de morte no mundo. Porém, mesmo com tantos casos notórios, crescentes a cada ano, ainda existem muitas barreiras para se falar abertamente sobre suicídio. Muitas pessoas não compartilham o desejo de tirar a própria vida ou a existência de pensamentos suicidas. Até mesmo porque não compreendem inteiramente o que estão sentindo, preferindo ignorar os sentimentos ruins. Parentes e amigos também não têm consciência do problema até que seja tarde demais.

Por isso, durante todo o mês de setembro, ações são realizadas a fim de sensibilizar a população e os profissionais da área para os sintomas desse problema e para a saúde mental. Infelizmente para muitos, o suicídio ainda não é visto como um problema de saúde pública, mas sim uma espécie de fraqueza de conduta ou personalidade.

É preciso compreender que quem comete o suicídio, percebe o ato de tirar a própria vida, como uma forma de acabar com o sofrimento pelo qual estão passando. O suicídio é o último passo de um longo período de sofrimento silencioso. Por isso é tão importante que exista uma rede de apoio, formada por familiares, amigos e/ou pessoas que possam oferecer suporte, carinho e compreensão para a pessoa com ideação ou planejamento suicida.

As causas que podem levar uma pessoa a este ato extremo de alívio do sofrimento podem ser, entre tantas outras, depressão ou transtorno bipolar, morte de uma pessoa querida, trauma emocional, desemprego ou problemas financeiros, histórico de negligência ou abuso na infância, não aceitação do envelhecimento, término de relacionamentos, não aceitação da orientação sexual ou identidade de gênero, dependência de drogas ou álcool. Ainda que não seja possível prever de forma exata quem são as pessoas que podem se suicidar, podemos listar alguns sinais e mudanças que estão relacionados com uma maior frequência de casos de suicídio, por isso estar sempre atento aos possíveis sinais. Pessoas sob risco de suicídio podem:

  • Apresentar comportamento retraído, dificuldades para se relacionar com família e amigos;
  • Ter casos de doenças psiquiátricas como: transtornos mentais, transtornos de humor (depressão, bipolaridade), transtornos de comportamento pelo uso de substâncias psicoativas (álcool e drogas), transtornos de personalidade, esquizofrenia e ansiedade generalizada;
  • Apresentar irritabilidade, pessimismo ou apatia;
  • Sofrer mudanças nos hábitos alimentares ou de sono.
  • Odiar-se, apresentar sentimento de culpa, sentir-se sem valor ou com vergonha por algo;
  • Ter um desejo súbito de concluir afazeres pessoais, organizar documentos, escrever um testamento;
  • Apresentar sentimentos de solidão, impotência e desesperança;
  • Escrever cartas de despedida;
  • Falar repentinamente sobre morte ou suicídio;
  • Apresentar um convívio social conturbado;
  • Ter doenças físicas crônicas, limitantes e dolorosas, doenças orgânicas incapacitantes como dores, lesões, epilepsia, câncer ou AIDS;
  • Apresentar personalidade impulsiva, agressiva ou humor instável.

Se você conhece alguém que está precisando de ajuda, manifestando comportamento suicida, esteja disponível para escutar sem julgamentos, disposto a entender os sentimentos dessa pessoa. Acolha respeitosamente, levando a situação a sério, sem diminuir os sentimentos. Busque o suporte da família ou alguém de confiança, não abandone em momentos de crise, certifique-se de eliminar do ambiente tudo o que pode oferecer risco e o incentive a procurar por um profissional de saúde mental o quanto antes.

O setembro amarelo indiretamente é também a naturalização do tratamento psicológico. Felizmente, mais e mais pessoas estão dispostas a procurar ajuda profissional, seja fisicamente ou via internet. Um psicólogo é capaz de ajudar a pessoa a lidar com os problemas que tanto deseja escapar. Apesar das conversas com familiares e amigos também terem sua importância para o nosso bem-estar, há problemas que somente são possíveis de solucionar com a sensibilidade, escuta especializada e conhecimento de um profissional.

Por isso, se você, que está lendo este texto e sente que precisa de ajuda, converse com sua família e amigos, procure ajuda de um profissional de sua confiança ou entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo telefone 188 ou pela internet.
Você não está sozinho! Isso vai passar!

Juliana Lopes Ibrahim

Psicóloga – CRP 04/41186

Juliana Ibrahim

Psicóloga e Sócia Proprietária da Clínica Semper. Especialista em Recursos Humanos, atendimento clínico presencial e online. Terapia Cognitivo Comportamental. CRP - 04/41186 (32) 99938-1024