Quem tem compulsão alimentar?

É comum as pessoas relatarem ter compulsão para se alimentar, associarem este hábito à obesidade e também à ansiedade. Mas será que se trata realmente do TRANSTORNO de Compulsão Alimentar? Recebo algumas perguntas frequentes de pacientes como:“ todo mês eu vou a algum churrasco ou festa e como demais, fico até com dor no estômago. Eu tenho Transtorno de Compulsão Alimentar?”, ou, “queria comer menos, mas depois que começo não consigo me controlar e parar. Eu tenho o Transtorno de Compulsão Alimentar?” e “Eu sinto vergonha de comer perto de outras pessoas por causa da quantidade que como. Além disso, fico muito triste e culpado por ter comido demais. Eu tenho o Transtorno de Compulsão Alimentar?”.

Amanda Teixeira Tolomelli
Médica Psiquiatra 

Muitas pessoas possuem um padrão de alimentação em que sentem que comem muito, porém, continuam nesse mesmo padrão devido ao prazer de comer, ou seja, preferem manter este hábito, que não traz sofrimento para suas vidas. Neste caso, não se trata de Transtorno.

Outras pessoas têm o hábito de comer pequenas porções continuamente ao longo do dia, o que também não leva ao diagnóstico de Transtorno. Igualmente não são considerados patologia os excessos esporádicos em festividades.

Para que haja necessidade de cuidados, de tratamento psiquiátrico e terapêutico, precisa haver real compulsão, ou seja, quantidade alimentar bem superior à que seria ingerida pelas outras pessoas nas mesmas circunstâncias, em um determinado período de tempo (geralmente inferior a 2 horas), além de sensação de culpa, sofrimento e falta de controle. As pessoas comem mais rapidamente do que o habitual, mesmo sem a sensação de fome, até quando já estão com desconforto abdominal. Os episódios compulsivos devem ser frequentes (pelo menos toda semana) e durar no mínimo 3 meses.

Não há nenhuma forma de tentar ‘compensar’ a ingestão, ou seja, não são provocados vômitos nem diarreia e não é feito uso indevido de diuréticos (Nesses casos, seria Bulimia Nervosa). É comum (mas não obrigatório) que pessoas com compulsão alimentar apresentem sobrepeso ou obesidade, o que pode piorar a autoestima.

Há também possibilidade de coexistência de outros transtornos, como ansiedade, depressão, transtorno bipolar, uso de substâncias psicoativas, entre outros. Cerca de 2% da população sofre com esse transtorno, que começa mais comumente na adolescência ou no adulto jovem. Pessoas da mesma família podem ter o mesmo transtorno, refletindo uma influência genética do quadro.

A compulsão pode apresentar remissão completa, mas uma parcela das pessoas acometidas demonstram persistência do transtorno. O tratamento envolverá tanto a psicoterapia como o tratamento medicamentoso e quanto antes o paciente procurar o psiquiatra/terapeuta, mais fácil será recuperar qualidade de vida e prevenir progressão e piora do quadro.

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