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Ronco serve de alerta para risco de doenças cardiovasculares

Publicado por: , em 23/03/2020 - Categoria: COLUNAS

Tempo de leitura: 2 minutos

Se o sono é essencial à saúde, é razoável acreditar que os transtornos do sono tenham consequências indesejáveis, com aumento inclusive do risco de morte.

O ronco é um barulho feito durante a respiração no sono que em geral, ocorre quando a passagem de ar na via aérea está estreitada. Pode estar associado Apneia obstrutiva do sono, quando leva a uma interrupção da respiração por mais de 10 segundos e redução do oxigênio disponível no sangue e consequentemente em todo o corpo. Acontece mais comumente em homens, idosos, obesos e hipertensos.

A baixa entrada de oxigênio nos tecidos durante o período da apneia seguida do aumento súbito do oxigênio quando o paciente volta a respirar ao final da apneia, causa uma inflamação nos vasos sanguíneos. Essa inflamação nos vasos e também a alteração no formato das próprias células do sangue, aumenta o risco de se aglomerarem e aderirem às paredes desses vasos, levando um bloqueio no fluxo de sangue. Se isso ocorre noite após noite, contribui de forma importante para doenças cardiovasculares como o ataque cardíaco (infarto agudo do miocárdio) e acidente cardiovascular (AVC).

Além da apneia, a insônia, outro distúrbio do sono no qual o paciente tem dificuldade para iniciar o sono, manter-se dormindo ou despertar precoce, está sendo apontada em estudos como risco para falência cardíaca. O mecanismo ainda permanece desconhecido, mas sabemos que o tratamento da insônia traz muitos benefícios no manejo das doenças cardíacas.

Os estudos das doenças que acontecem durante o sono são recentes, mas estão crescendo de forma exponencial pelo grande número e gravidade das consequências para a saúde. Por isso, anualmente durante o mês de março, acontece no Brasil a “Semana do Sono”, para divulgar o assunto e conscientizar a população da importância de um sono de qualidade.

 

 

 

 

 

Marcela Machado Parma

Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro; Residência Médica em Otorrinolaringologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro; Título de especialista em Otorrinolaringologia pela AMB; Residência Médica em Medicina do Sono pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro; Mestrado Profissional em Medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.