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SERÁ EXCESSO DE TIMIDEZ?

Publicado por: , em 28/04/2020 - Categoria: COLUNAS

Tempo de leitura: 2 minutos

Algumas pessoas parecem tímidas demais! Muito introspectivas, com dificuldade de se enturmar e evitam sair ou conhecer novas pessoas. Mas será mesmo timidez? Quando alguém chega a apresentar prejuízos em sua vida, seja profissional, acadêmica, social ou afetiva, nós podemos estar diante de um Transtorno de Ansiedade Social.

Esse quadro pode se manifestar de forma mais leve, como em uma pessoa que só apresenta problemas diante de um determinado tipo de exposição, como apresentar um trabalho em público, na escola ou faculdade, ou uma palestra no trabalho. Nesse caso, o indivíduo evita ao máximo tal situação ou a enfrenta com grande sofrimento. Podem ocorrer sintomas físicos de ansiedade, como suor, palpitação no peito, falta de ar, tremores, rubor facial e até um ataque de pânico.

Dependendo do nível de ansiedade percebido, vários tipos de exposição são temidos e evitados pelo sujeito acometido. O pensamento existente por trás desse comportamento consiste no incômodo em ser o centro das atenções e poder ser julgado, criticado, ridicularizado de alguma forma pelos outros, havendo um temor em ser considerado desinteressante, sem graça, bobo, deslocado, ignorante etc. Este tipo de crença distorcida pode levar a um sério isolamento social, em que não se consegue conversar mesmo em um pequeno grupo de pessoas, nem fazer perguntas em público, ir a festas, iniciar um contato romântico com alguém ou expor suas ideias e opiniões. Nos casos mais graves, ocorre até mesmo a dificuldade de ir a banheiros públicos, alimentar-se ou escrever em público.

O Transtorno de Ansiedade Social é muito frequente, acometendo cerca de 12% da população ao longo da vida. A ausência de tratamento aumenta os riscos de que a pessoa também desenvolva outros transtornos, como Depressão e Abuso de Substâncias Psicoativas (drogas lícitas ou não). Apesar disso, apenas 50% daqueles afetados procuram ajuda para intervenção terapêutica, o que acarreta a cronificação de muitos casos que poderiam estar sendo tratados. O correto diagnóstico e a condução deste transtorno são feitos pelo psiquiatra, que geralmente indica a associação entre o uso de medicamentos e terapias psicológicas.

Dr.ª Amanda Teixeira Tolomelli

Residência Médica em Psiquiatria pela UFJF; Pós graduação em Terapia Cognitivo-comportamental pela faculdade Redentor; Graduação em Medicina pela UFJF.