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Sono e Imunidade: porque a vacina pode não funcionar se houver restrição do sono

Publicado por: , em 22/12/2020 - Categoria: COLUNAS

Tempo de leitura: 2 minutos

Você deve se lembrar que na última vez em que ficou gripado, além de todos os sintomas da Gripe como tosse, FADIGA, dor no corpo, dor de garganta, você sentia uma vontade enorme de deitar e dormir, não é mesmo? Seu corpo pedia uma cama!  Essa sensação é frequente, pois o seu organismo tenta se curar pelo sono. Existe uma associação importante e também bidirecional entre sono e sistema imune. O sono auxilia no combate à uma enfermidade ativando o sistema imune. Por outro lado, o sistema imune estimula o sistema do sono, exigindo mais repouso a fim de ajudar nesse combate.

Doenças infecciosas frequentes como o resfriado comum, a gripe, a pneumonia e agora a covid-19, são causas importantes de morbidade, que fazem os pacientes procurarem atendimento médico. Entretanto, provavelmente você ou alguma pessoa próxima, já se sentiu frustrado após o atendimento em que buscava uma pílula milagrosa e o médico orientou apenas  aumento da ingesta de líquidos, uma medicação para dor ou febre e REPOUSO!

A própria vacinação que acontece anualmente contra a gripe, só será eficaz se seu corpo reagir a ela e gerar anticorpos. Indivíduos que apresentam restrição de sono podem apresentar uma resposta imune à vacina até 50% menor do que o esperado. Interessante também  saber que mesmo que as horas de sono perdidas sejam recompensadas posteriormente, e até em quantidade superior, nunca se chegará a desenvolver uma reação imune plena à vacinação. Estamos vivendo em uma época em que é discutido diariamente se devemos ou não tomar a vacina da covid-19, se ela será ou não eficiente, mas diante de tantas incertezas, fato é que se você estiver apresentando uma restrição crônica de horas de sono, a probabilidade dela ser menos eficiente no seu corpo é grande.

Diante da alta prevalência dessas infecções, muitas vezes sazonais, seria interessante pensar que médicos e governos fariam bem em enfatizar a necessidade em se ter um sono suficiente durante a época em que se tem maior prevalência delas. Já pensou nisso?

Marcela Machado Parma

Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro; Residência Médica em Otorrinolaringologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro; Título de especialista em Otorrinolaringologia pela AMB; Residência Médica em Medicina do Sono pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro; Mestrado Profissional em Medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.