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Testes para Coronavírus: qual e quando utilizar?

Publicado por: , em 15/06/2020 - Categoria: COLUNAS

Tempo de leitura: 4 minutos

O teste PCR é considerado o melhor para detecção do vírus no organismo.  Trata-se de um teste molecular que identifica o material genético do vírus em uma amostra de material colhida em secreções. Esse teste é capaz de amplificar o material genético do vírus (RNA) e analisá-lo a partir de uma pequena quantidade, sendo considerado de grande especificidade e sensibilidade.

O material é obtido pela raspagem mucosa da região posterior do nariz (região denominada nasofaringe, associado ou não à raspagem da orofaringe) com um swab. A partir do início do sintomas já existe replicação viral no organismo, mas o teste geralmente torna-se positivo a partir do 3º ou 4º dia do início dos sintomas, tendo um pico no 5º e 6º dia e queda no 7º e 8º dia. O resultado varia amplamente em função do momento dessa coleta e da qualidade do material obtido. Se a doença evolui de forma mais grave, com acometimento pulmonar, essa piora acontece em geral partir da 2ª semana e, portanto a maior concentração viral estará localizada na via aérea inferior. Portanto, para que esse exame tenha boa sensibilidade a partir desse período, o material deverá ser colhido de amostras do trato respiratório inferior, como o escarro (em pacientes que ainda não foram entubados) e a aspiração traqueal ou lavado broncoalveolar (em pacientes já entubados).

Outra forma de detecção direta do vírus é a DETECÇÃO DE ANTÍGENOS, proteínas virais, e não do seu material genético. Trata-se de um exame menos sensível que o PCR e que se torna positivo um pouco mais tarde, porém de menor custo e menor tempo de análise. Está padronizado para ser usado apenas em secreção obtida pelo swab da nasofaringe e não para secreção de via aérea inferior.

A sorologia é o exame que detecta a presença de anticorpos produzidos pelo corpo em resposta à infecção por coleta de amostra sanguínea e tem sido chamada de TESTE RÁPIDO. Os primeiros anticorpos produzidos são ao final da primeira semana após o início dos sintomas, as imunoglobulinas IgA e IgM e os testes ganham sensibilidade relevante a partir do 7º dia e indicam infecção recente. Fabricantes diferentes têm kits diferentes de análise e podem dosar uma ou outra imunoglobulina. Ao 10º dia a partir do início dos sintomas, 80 % dos pacientes já tem esse exame positivomas apenas 50 % dos pacientes terá a imunoglobulina IgG positiva. Apenas a partir do 14º dia a IgG estará positiva em 100% dos pacientes e permanecerá assim como um marco de infecção passada, enquanto IgA e IgM desaparecem do organismo.

O TESTE RÁPIDO, ajuda no manejo da epidemia mas não é uma solução milagrosa e na primeira semana, ele não tem utilidade diagnóstica. Entretanto, o teste pode ajudar na testagem repetida de profissionais de saúde ou população que não pode realizar o isolamento, já que não há disponibilidade de PCR para todos. Também pode ser realizado em pacientes que perderam a janela de tempo inicial para análise de PCR colhido pelo swabnasofaríngeo, mas que está começando a ter sintomas graves e não consegue colher amostra de secreção de via aérea inferior. Como a COVID-19 é recente, não sabemos como a imunoglobulina IgGnessa doença se comportará no organismo e se irá conferir proteção absoluta e por quanto tempo.

Quem tem sintomas leves, transmite o vírus por cerca de 7 a 8 dias, mas admite-se como segurança um isolamento de 14 dias. Pacientes com quadros graves ou imunossuprimidos devem manter um isolamento por no mínimo 14 dias e nesse caso, 2 amostras de exame de PCR, se disponíveis, podem ser usadas como medida para avaliar o fim do isolamento. Profissionais de saúde podem retornar ao trabalho a partir do 8º dia mantendo o uso da máscara até 14 dias.

O resultado dos exames, seja positivo ou negativo, devem ser avaliados com cautela na definição do isolamento social. Um resultado positivo de PCR não significa que ainda há transmissibilidade do vírus, e sim que ainda há material genético viral, mas a reposta imune do paciente pode já estar atuando no controle da replicação viral e transmissibilidade.

Referências

 1-Cellular Immune Responses toSevereAcuteRespiratorySyndromeCoronavirus (SARS-CoV) Infection in Senescent BALB/c Mice: CD4+ T Cells Are Important in Controlof SARS-CoVInfection

Jun Chen, YukFai Lau, Elaine W. Lamirande, Christopher D. Paddock, Jeanine H. Bartlett, Sherif R. Zaki, Kanta Subbarao

JournalofVirology Jan 2010, 84 (3) 1289-1301; DOI: 10.1128/JVI.01281-09

2-COVID-19: Atualização e evidências para profissionais de saúde. Escola de Educação Permanente da Faculdade de Medicina da USP. Módulo I. Diagnostico laboratorial COVID-19. Carolina Lazari

Marcela Machado Parma

Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro; Residência Médica em Otorrinolaringologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro; Título de especialista em Otorrinolaringologia pela AMB; Residência Médica em Medicina do Sono pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro; Mestrado Profissional em Medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.