Você usa antibióticos sem prescrição?

Dra. Michele C. Marques e Dr. Ricardo Silva – Médica Veterinária formada pela UFV e apaixonada por Dermatologia Veterinária. Médico Veterinário formado pelo UFV e especializado em Oftalmologia Veterinária pelo Instituto Qualittas.

Desde a descoberta do primeiro antibiótico em 1928, houve uma revolução no tratamento de diversas enfermidades, contudo, o uso indiscriminado do referido medicamento está nos levando a um beco sem saída.

Os antibióticos são substâncias químicas que combatem bactérias. Alguns causam a morte desses microrganismos, enquanto outros apenas impedem seu crescimento e reprodução. São utilizados para o tratamento de doenças causadas por bactérias ou feridas infeccionadas. Nesses casos, eles impedem que as bactérias façam um grande estrago e facilitam que o organismo consiga combater as infecções e reparar o que for preciso. Para isso, é necessário um cálculo correto de dose e tempo de tratamento adequado. O grande problema é que nem sempre são mortas todas as bactérias, principalmente em doses baixas ou períodos de tratamento curto. Acontece que enquanto as bactérias mais sensíveis expiram, outras mais resistentes terão descendentes que irão tolerar altas doses do antibiótico ou serão totalmente resistentes a ele.

Atualmente há bactérias resistentes a diversos tipos e famílias de antibióticos. Na verdade, já é possível identificar bactérias resistentes a todos os antibióticos existentes hoje em dia. Tudo isso se deve ao mau uso dessas medicações de forma geral. Quantas pessoas tomam antibiótico por estarem gripadas? A gripe é uma doença viral. Nenhum antibiótico age contra vírus. Alguns casos de doenças virais até podem exigir antibióticos para evitar infecções secundárias, mas é raro. Outro erro comum é não seguir as prescrições até o fim. Já cansei de ouvir relatos de pessoas que tomaram apenas dois dias de antibiótico, melhoraram um pouco e pararam de tomar. Isso aumenta muito a probabilidade de resistências bacterianas.

Infelizmente, a medicina veterinária também contribui bastante para esse panorama. Vários colegas de profissão fazem uso de antibióticos fortíssimos para tratar problemas usuais que um antisséptico resolveria. Ou filhotinhos com uma simples sarna de orelha são expostos a antibióticos potentes, quando um ectoparasiticida solucionaria. Depois pode ser necessário o uso desse antibiótico, porém, não será mais eficaz. Muitos proprietários compram antibióticos para seus cães sem que o medicamento tenha sido prescrito por um médico veterinário, mas simplesmente porque um tosador falou ou porque o cachorro da vizinha fez um tratamento com o mesmo medicamento e ficou ótimo. Entretanto, será que há necessidade de usar um antibiótico no caso do seu animal? Será o mesmo contexto ou só é muito parecido para o leigo? O seu cachorro pesa o mesmo que o cão da sua mãe? O seu gato pode usar esse antibiótico que passaram para o seu cão? Reflita.

Alem do mais, há também a possibilidade de reações ao medicamento. Alguns animais, assim como pessoas, podem ter alergia a determinado grupo de antibiótico ou reações adversas como farmacodermias, por exemplo. Por isso, o uso deve ser feito com o acompanhamento de um profissional da saúde.

Não estou dizendo que não devemos usar antibióticos, pelo contrário. Antibióticos salvam vidas! Apenas faço um alerta para que seja utilizado com moderação, com critério. Existem quadros em que eles são necessários, mas não são todos. Por isso é importante que sejam prescritos por médicos e a prescrição deve ser seguida à risca. Não use antibióticos sem a devida indicação. No final o prejudicado pode ser você ou o seu animalzinho.

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